Recentemente uma amável leitora e grande amiga cobrou sobre a questão.
Por uma questão de ética, e até um cavalheirismo "fora de moda", nomes não declinarei.
Nossos sonhos juvenis da década de 60 do século passado eram mais baseados nas fantasias e experiências – dos outros. Intermináveis histórias contadas no Bar do Seu Antonio ou no muro da casa do Thomás, já na Avenida Dom Pedro – lugar mais elegante.
Por outro lado, elas passavam, num desfile charmoso, típico da época. Eram as primas, uma delas de olhos verdes iluminados, a outra esbanjava elegância.
E na casa da Tia Elvira, já Avenida Dom Pedro, reunião "das meninas"!! As primas, eternos cupidos, a simpatia de uma tia – liberal para a época. Os primeiros acordes dedilhados no violão foram do Mário Paulo, Luís do prédio em frente tocava melhor. Lá que ouvi pela primeira vez o disco do Jair e da Elis e o nosso rei – Roberto Carlos. Saudades de uma tia fora do seu tempo.
As festas de 15 anos maravilhosas, quanto Ray Conniff, quanto Platters. Rostos colados, sorrisos maliciosos. Nesse exato momento surgem os Beatles, nossa cabeça (e nosso cabelo) pirou.
Ficamos fanáticos, ouvíamos compulsivamente Help!, Michelle, dentre outras. As meninas não gostavam dessa predileção, desse abandono. Mas, aderiram à onda!!
As festas juninas no Clube Hispano, do outro lado da Avenida Dom Pedro, lá na Ouvidor Portugal, subíamos para o Olimpo. Mais meninas, mais rostos colados, ao som dos Lenhadores com Luis Di Sessa nos vocais.
Íamos, com as meninas, para o Cine Riviera e para o Cine Lins. Avenida Paulista era uma utopia.
Já na faculdade, longe de São Paulo, na casa do Samin, a última festa. As "meninas" estavam todas lá, eu que estava longe, em outra, outra cidade, outra vida. Todos ouviam "Let it Be", recém lançado.
Parafraseando John Lennon, "the dream is over". Eu já não era mais da Turma da Lima Barreto. Hoje essa despedida ainda me dói.
Minha homenagem e meu carinho para as "as meninas da Turma da Lima Barreto".
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