Rapidamente fui desviar do buraco enorme no asfalto e o inevitável aconteceu. Estávamos os três inseparáveis amigos dentro do velho Ford ano 1936, enfiados dentro do córrego Uberabinha lá na Rua Canário. Eu com um braço quebrado, o Dioguinho com um corte no rosto e o Nelsinho Japonês com algumas costelas quebradas.
Esse fato aconteceu no já distante 02 de janeiro de 1962, quando meu pai pediu que desse uma "lavada" na relíquia da família. Um velho Ford que, durante a Segunda Guerra, havia ficado estacionado sob cavaletes na garagem da casa de meu avô.
Nesse tempo a gasolina foi racionada e pneus só seriam obtidos no "mercado negro", o contrabando de hoje em dia, a preços provavelmente exorbitantes. Resolveu-se inclusive a não instalação do sistema de gazogênio, uma geringonça que não deu muito certo nos veículos da época, daí a razão dos cavaletes.
Naquela fatídica tarde resolvemos dar uma volta de auto sem carteira de habilitação, sem autorização de meu pai e completa falta de habilidade para dirigir um automóvel cujo sistema de freios nem hidráulico ainda era. Logo após o acidente ainda choveu e cobriu quase que todo o automóvel de água da chuva que corria no córrego, hoje totalmente canalizado.
Em Indianópolis, hoje, bairro de Moema, a Rua Canário era a única rua asfaltada naquelas bandas do bairro. Começava na Avenida República do Líbano e terminava na Avenida Cotovia, os mesmos nomes até hoje são mantidos.
Esta lembrança, hoje, chega a ser motivo de boas risadas, mas no dia do acontecimento causou um enorme aborrecimento a todos, além da evidente despesa extra causada por mim e meus amigos que, em momento nenhum, me fizeram abandonar a ideia de dar uma voltinha, nem que fosse coisa bem rápida. Deu no que deu.
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