Reminiscências

Foi no quarto centenário de São Paulo. Ainda adolescente interiorano, com poucas chances de viajar, admirava o símbolo dos 400 anos. Os festejos, a música do Mario Zan, etc. Falava-se muito do parque do Ibirapuera um local inatingível mesmo em sonho.

Eis que dois anos depois me encontro nesta metrópole maravilhosa. Minha primeira parada foi a Rua Almeida Lima, no Brás, onde o movimento de pedestres impressionou-me. Lá próximo havia uma fábrica grande e a estação ferroviária.

Minha segunda escala, Rua Siqueira Campos onde na esquina com a Rua Vergueiro tinha uma placa da Ação Social. No início da Vergueiro, lado esquerdo, esquina com a Rua São Joaquim, um hospital da fundação Zancaner que diziam ser do grupo Antártica. Ainda pela Vergueiro, agora do lado direito, uma fábrica de chocolates (a Sonksen?) e o SAMDU (Serviço de Atendimento Médico).

Caminhando um pouco mais o cine Rex, depois o Leblon e o Cruzeiro. Vale lembrar o colégio Ipiranga e também o Hospital do Câncer.

Circulavam pela Vergueiro bondes e ônibus. Entre os bondes, abertos e fechados, que saíam da Praça João Mendes, tínhamos o Vila Mariana, Praça da Árvore, São Judas Tadeu, Santo Amaro (nº. 101 – tarifa mais cara). Dentre os ônibus mais famosos eram o Norte-Sul, Avenida 2, Avenida 3 e Jabaquara.

Próximo à Rua Siqueira Campos, a Rua Taguá onde funcionava o colégio Paulistano, hoje Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Na Rua São Joaquim um colégio estadual de relativa fama, o Roosevelt (tinha outro Roosevelt no Parque D. Pedro) e um cinema da colônia japonesa, o cine Tókio.Ainda rondando pelo bairro, na Galvão Bueno o cine Niterói preferido pela colônia apesar de ter também os cines Nikatsu e o Jóia.

Na Rua da Glória também circulavam bondes com destino ao Ipiranga. No ponto inicial dos bondes na Praça João Mendes, uma panificadora que faz parte da história da cidade: Padaria Santa Tereza tendo na parte de cima um salão de sinuca. Em frente à praça o fundo da Catedral da Sé onde pelo lado direito tínhamos uma agência de correio e a livraria Racy.

Na Praça da Sé, dois cines chamados de pulgueiros: o Santa Helena e o Mundi, lado a lado. Havia também uma academia, a Academia do Bilhar.

Na Praça Clóvis Bevilacqua uma enorme placa indicava a sede do Comercial, time de futebol, mais tarde São Bento e que logo desapareceu.

Da Praça da Sé saía uma rua famosa, a Rua Direita, super movimentada e que nas noites de sábado e domingo era o ponto predileto da raça negra.

Na Rua São Bento o cine Alhambra e os sandubas de calabresa, deliciosos do Califórnia, próximo de uma casa de guarda-chuvas e sombrinhas e da casa José Silva. As lojas da Rua Direita: Ducal, Americanas, Casas Vitale, Tecidos Heron, Garbo, etc…

Na Praça do Patriarca, Modas A Exposição Clipper, onde o slogan era "basta ser um bom rapaz para ter crédito", Camisaria Colombo, Casa Fretin e outras. Na época a grande atração da praça era a escada rolante. O Othon Palace, frente Líbero Badaró também dominava a paisagem local.

Dá pra imaginar um bonde passando nas ruas São Bento e Florêncio de Abreu?

Falando em bondes, os boys e os estudantes preferiam viajar nos abertos e quando o cobrador se aproximava ficavam olhando de lado como se já tivessem pago, ignorando o mesmo.

No fim da São bento, a imponente Basílica de mesmo nome, com seu relógio secular. Antes de chegar ao largo, uma lanchonete ou sanduicheria, O Porcão com deliciosos sandubas (Largo do Café). Do Largo São Bento inicia a Rua Florêncio de Abreu com a tradicional Casa da Bóia logo no começo. Ferramentas, parafusos, resistências elétricas, máquinas industriais, compressores, etc, a Florêncio, famosa em todo Brasil.

Aos contemporâneos essas reminiscências haverão de fazer com que os neurônios cerebrais funcionem para revitalização da alma.

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