A vítima do Joelma – que não estava lá…

Sexta-feira, 1º de fevereiro de 1974. Eu tinha dez anos de idade e, como sempre fazia, liguei a TV para assistir aos meus desenhos favoritos. No entanto, naquele dia, a transmissão seria bem diferente: no centro da cidade, um grande incêndio estava acontecendo no edifício Joelma (que acabaria com a trágica contagem de 188 mortos). Chamei minha mãe e ficamos ambos assistindo àquelas cenas terríveis, que duraram horas intermináveis.

Meses depois, nossa família mudou de casa. Em nossa nova rua, três casas abaixo da nossa, morava o casal dona Deise e 'seu' José Roberto, pais do Marcelo, de quem me tornaria amigo, e de uma criança de colo, o Fabinho. 'Seu' José Roberto aparecia pouco, mas era sempre simpático comigo e com as demais crianças da rua.

Com o tempo, ficaria sabendo que ele estava no Joelma (onde trabalhava, se não me engano, na Crefisul) no dia do incêndio, e que tivera algumas sequelas por causa disso. E saberia também que Dona Deise estava grávida do Fabinho quando viu pela TV as mesmas cenas a que eu e minha mãe havíamos assistido. O choque foi tão grande que Fabinho nasceu com sérios problemas no coração.

O tempo foi passando, e me acostumei a ver aquele menino alegre e – quase sempre – sem camiseta mostrando o peito com cicatrizes, devidas às diversas operações cardíacas a que precisou se submeter.

No final dos anos 80, se não me falha a memória, eles se mudaram de lá e, como é natural, perdemos o contato durante alguns anos.

Em 1998, ou seja, 24 anos após o incêndio do Joelma, soube pela minha mãe que o moço Fábio falecera devido a complicações decorrentes de uma operação – no coração.

O Joelma havia feito sua última vítima.

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