Eu estou com 68 anos, graças a Deus com ótima saúde. Fico lembrando a educação que nós tivemos (eu e meus irmãos), nós respeitávamos os mais velhos, pedíamos a benção aos nossos avós, aos nossos pais. Até a minha vizinha, dona Gracia, ela tinha oitenta anos, eu pedia a sua benção. Quando estávamos no bonde sentados, e entravam pessoas idosas, imediatamente a gente cedia os lugares. Na mocidade os meus irmãos não fumavam na frente dos meus pais.
Era um respeito profundo pelos mais velhos.
Eu estou contando esta história, não sei se eu estou errado, se eu sou quadrado, como dizem os jovens.
Quando eu morava no Morumbi, nós estávamos na piscina do prédio. E tinha um menino, ele ficava pulando por cima das nossas pernas (nós estávamos deitados tomando banho de sol). A mãe chamou-lhe atenção, ele respondeu gritando, em alto e bom som: “vai tomar no c…”.
Eu fiquei esperando uma reação da mãe, ela simplesmente disse: “Filhinho, não faça assim”. Todos na piscina ficaram surpresos, se eu respondesse assim para a minha mãe, a italiana me quebrava os dentes.
Outro caso que eu vi foi na fila do caixa do supermercado. Uma moça estava com uma menina no colo (a menina devia ter uns cinco anos), no caixa ao lado estava uma loira muito bonita, a menina, na sua ingenuidade, apontou para a loira e disse: “Mamãe, ela parece uma p…”.
A moça ouviu, a mãe pediu mil desculpas, não sabia onde pôr a cara.
A moça disse para a menina: “Eu não sou p…, também tenho uma filhinha como você, o seu dia chegará”. Como uma menina de cinco anos pode conhecer uma p…? (O meu pai dizia, quando a criança fala, é porque o grande já falou).
Será que eu já estou velho, ou isso é o progresso, são os novos tempos?
Um abraço a todos e muito obrigado.
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