João de Oliveira, carinhosamente chamado João Manecão, podia-se dizer ser uma pessoa folclórica, muito conhecida na região de Santo Amaro, desde os tempos da "Padaria 15", próximo ao Largo 13 de Maio, na Avenida Adolfo Pinheiro, ao lado da Matriz de Santo Amaro.
Costumeiramente dirigia-se para este local, por ele apreciado a degustar alguma guloseima. Era um inveterado neste assunto de adocicados, mas também se dirigia ao encontro dos amigos ou com seu "Mané", dono da panificadora, para por a prosa em ordem. Ou vagando pelas ruas, caminhando em direção ao encontro de seu confidencial companheiro Terturiano, que foi proprietário da "Padaria Brasileira", em Santo Amaro, que precisando entregar o prédio ao senhor Eliseu mudou-se, em 1957, para o Jardim São Luiz, implantando a primeira padaria do local, denominada "Panificadora Jardim São Luiz", próximo ao largo das lavadeiras. Mais tarde, este local tornou-se um dos primeiros "feirões cobertos" da periferia de São Paulo, idealizado pelo prefeito Faria Lima, para uso de feiras livres, desobstruindo as ruas para circulação de veículos, que infelizmente não teve continuidade.
Manecão possuía uma gleba de terra na Rua Tuparoquera, que insistem em chamar atualmente de Nova, mas talvez mais antiga que o próprio bairro, tendo sido "picada de mata", usada pelo típico nomadismo indígena que circulava em M´Boi Mirim em direção à região de Itapecerica, Embu ou Parelheiros, e que atualmente dá continuidade a Avenida Maria Coelho Aguiar, onde foi implantado, na década de setenta, o Centro Empresarial de São Paulo, no final da Marginal Pinheiros, no Jardim São Luiz, próximo à Fundação Julita, entidade das mais respeitadas em ações sociais locais, fundada em 1951, nas proximidades onde o matuto Manecão, homem de pouca cultura, resolveu fixar residência com sua primeira esposa, Zulmira.
A região, na década de cinquenta, era uma mata virgem, com jatobás e boas jabuticabeiras, alegria das crianças. Uma ou outra residência onde hoje se localizam os prédios do CDHU, no Jardim Celeste, havia uma olaria, prevendo o crescimento da região, numa tosca "choupana", cujo bem mais precioso era o forno de fabricação dos tijolos, incrustado como um castelo dentro da mata.
Com o falecimento de sua primeira esposa e tendo sua filha pouca idade, João Manecão resolveu contrair segundas núpcias com a senhorita Lourdes, no ano de 1967, realizada na Paróquia São Luiz Gonzaga, pelo então jovem sacerdote Edmundo da Mata, que chegou à região em 1964, tendo como padrinho Candido Alves da Silva, Candú, de família tradicional santamarense, das que com orgulho denominam-se botina amarela.
Manecão era um típico homem do campo apreciando coisas simples, não rejeitando um franguinho caipira bem feito em panela de ferro cozido em fogão à lenha enfumaçada.
O nosso personagem tinha características próprias usando sempre paletó e prevenindo-se com um guardachuva nas mãos, mesmo em dias ensolarados. Seguia seu costume cotidiano e religiosamente participava das missas com a família e os filhos, Inês e João, acompanhado pela mãe e as crianças mantidas com o asseio da "roupa de missa", e em fila indiana, um ritual dominical.
Tinha como compromisso orientar a catequese, ficava orgulhoso em pousar com os meninos de branco e azul marinho e as meninas com vestidos simples, brancos como a pureza de toda criança para a recordação das fotografias do Chico Furukawa. Devido a sua religiosidade, Manecão doou a parte mais alta, para no local ser construída a capela que foi denominada Comunidade São João Batista, e muito tempo depois, com a divisão diocesana de São Paulo, foi elevada a Paróquia com a denominação "Santa Rosa de Lima", em 29 de outubro de 2006.
Ainda manteve um terceiro matrimônio com dona Francisca, sempre morando na região até o seu "passamento", que foi acompanhado por gente simples, cabocla local.
João Manecão participou com seu jeito simples da história santamarense, sendo o idealizador do bairro Jardim São João, e um dos pioneiros que marcaram o desenvolvimento local. Embora muitas vezes ludibriado nas transações, será sempre recordado por todos que de certa maneira foram a causa de constituir mais um bairro paulistano, o Jardim São João.
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