Memórias cafetinais

Não pensem meus leitores mais afoitos que o título desta crônica vem a ser um alerta para um texto mais tosco e lascivo sobre memórias um tanto quanto inconfessáveis.

O “cafetinais” do título foi motivado pela sigla que nos meus anos de juventude povoou meus dias de folguedo e animação. C.A.F.E. (Centro Associativo Fazenda Estadual) era o clube dos funcionários da Fazenda Estadual, onde certa senhora de nome Zaira (Zazá) Chammas, além de ser minha tia mais nova, era parte integrante da equipe de tênis de mesa, exímia jogadora, diga-se de passagem, tinha também sido eleita rainha do Clube em concurso de repercussão inconteste.

O CAFÉ, como era costumeiramente denominado, tinha sua sede social no famoso Edifício Martinelli, com entradas pela Avenida São João (principal), Rua São Bento e Rua Libero Badaró. O pavimento que era ocupado parcialmente pelo clube, não me vem à memória, mas era bem no alto.

Foi nele que Tia Zazá conheceu o João (João Kalil Hojaij Neto) e com ele veio a se casar. Lembro-me, ainda, do nome de alguns de seus diretores, tais como o Sr. Junqueira, o Bolivar, que junto com outros diretores muito fizeram para o engrandecimento do clube.

Naquela sede, no Edifício Martinelli, além do pequeno, mas bem provido bar e restaurante, e das dependências sócio-administrativas, existia um extenso salão onde eram praticados os jogos de salão, tabuleiro e mesa, bem como os jogos de carteado, naqueles tempos liberados.

Em dias festivos, o salão se prestava para shows artísticos e musicais e, a partir de 1949, assisti a vários. Era ali, naquele salão social, que na época de festejos do Tríduo de Momo se realizavam os bailes carnavalescos, e este cronista que lhes escreve, devidamente fantasiado, ora de pirata devidamente paramentado e com um dos olhos tampados, ora de ladrão de Bagdá com suas pantufas bufantes, um pequeno colete e um turbante pomposo, ou então com outras fantasias de conformidade com temas em destaque na época (40/50), brincou, como se dizia naqueles tempos, à bandeiras despregadas.

Depois, já no final dos anos 50, o clube transferiu sua sede para a Rua Treze de Maio, um pouco mais acima do antigo Clube Transatlântico, e ali eu também usufrui dos famosos bailes carnavalescos, então já gozando da companhia daquela que viria ser a mãe dos meus filhos, anos depois.

Aliás, diga-se de passagem, nesses bailes, por causa do meu espírito aventureiro e "dom juanesco", aconteceram brigas e rusgas memoráveis com a Dª Cida, lógico, hoje tenho de admitir, com toda razão por parte dela.

O Clube, depois, teve também sua sede náutica à beira da Represa de Guarapiranga.

Hoje, muitos anos depois, não sei mais se o CAFÉ continua existindo e tendo atividades normais, mas sei que ele tem um lugar especial nas memórias da minha vida bem vivida na nossa querida São Paulo.

e-mail do autor: [email protected]