Começando minha história… Tudo se passa no coração de São Paulo, Avenida São João…
Esta história vem um pouco antes… Nome dele: Moacyr Rodrigues dos Santos (conhecido muito tempo como Sr. Mário). Devido a ter sido caçado pela ditadura em 1944, precisou usar esse nome para começar a sua vida… Montou na Avenida São João com a Dom José de Barros banca de jornal, banca de frutas, maquete pra venda de terreno em Itanhaém, artigos de época… Foi aí que eu cheguei, em 1964.
Eu, Ivandick Rodrigues dos Santos, tinha seis anos de idade. Tínhamos um ponto de castanha de caju ao lado do Cine Rivoli, no qual assisti aos primeiros filmes de minha infância: Marcelino Pão e Vinho, Coração de Luto (Teixerinha) e outros. Ficávamos observando quando os telespectadores saíam da platéia, nas quais tivemos cenas muito engraçadas, pois o vidro era tão limpo da porta de saída que era constante, no término dos filmes, as pessoas não perceberem a porta, de tão transparente, e chocavam-se contra ela… Ríamos muito!!!
Ter um comércio de 4×1 na Avenida São João, na época, era presenciar o tráfego de 370 pessoas por hora. Tínhamos naquele pequeno espaço castanha de caju, amendoim salgado, milho, pamonha, cural, suco de milho. Tínhamos técnicas de venda muito eficientes, pois torrávamos o caju na hora, salgando em seguida, cozinhávamos o milho sempre ficando um aroma gostoso, aguçando quem passasse.
Colocávamos para mencionar o ponto como V.1 depois V.2. Neste ponto V.2 tínhamos churrasco grego, churros simples e recheado, chá mate e sorvete italiano.
Também na época trabalhamos com a linha de produtos populares, mas muito bem vendáveis, pois a qualidade era o grande fator dos nossos produtos.
Avenida São João, fomos nós que implantamos a primeira máquina italiana de sorvete com chantili, ao lado do Cine Metro.
Próximo à Rua Dom José de Barros, montamos a V.3, uma geladeira do restaurante que foi retirada e transformada em um pequeno ponto comercial de 3×1. Vendíamos neste ponto doces sírios, gomas sírias, cocadas, doce de batata, doce de abóbora, doce de leite, paçoquinhas e outras.
E próximo à Avenida Ipiranga tínhamos a Charutaria Ivamar, no antigo restaurante Broday Lanches. Este local foi elaborado de forma que ficasse quarenta centímetros para a calçada, sendo que, ao fechar, colocávamos placa de aço inox, que era a maneira de fecharmos a charutaria. Vendíamos óculos do Emerson Fittipaldi, cigarrilhas, os primeiros cigarros importados, chaveiros, isqueiros e outros…
E dentro desta simplicidade de vida, posso expressar minhas saudades, o meu orgulho de ter tido a verdadeira Escola da Vida. Claro que com a participação de alguém especial, que foi meu grande pai, Moacyr Rodrigues dos Santos, que me fez um verdadeiro homem, me fez ter dignidade, e me mostrou o quanto é importante ter passado, e que fatos não registrados não geram história!
Hoje continuo fazendo parte desta grande cidade que é São Paulo, produzindo sucos naturais, morando em um mesmo endereço há cinquenta anos, e não deixando de transmitir a beleza de nossa São Paulo e de nossa tão linda Avenida São João!
Eu, Ivandick Rodrigues dos Santos, em um pequeno espaço de tempo, tentei retratar minha história e me coloco à disposição para narrar ainda mais!
Minha vida vivida!!!
Um abraço,
Ivandick Rodrigues dos Santos
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