Bem, minha história se confunde com milhares de histórias de pessoas que tem algum tipo de relação com o Hospital Matarazzo. Assim como milhares de pessoas, sou uma ex-paciente do Hospital Matarazzo.
Vou tentar resumir minha ligação com o hospital. Na infância, tive bronquite desde muito pequena e, por causa disso, tive pneumonia várias vezes… Então minha mãe vivia correndo comigo e com minha irmã (Luana) para o médico. Fiz vários tratamentos, minha mãe me levava direto ao pronto-socorro, pois estava com febre alta e outros sintomas. E para onde minha mãe me levava na maioria das vezes??? Isso mesmo, no Hospital Matarazzo!
Não importava que dia da semana fosse, podia ser segunda, sábado ou domingo. Não importava o horário, podia ser de madrugada. Lá estava eu com minha mãe e minha irmã indo ao Hospital Matarazzo. Chegamos a passar até mesmo um Natal no Hospital Matarazzo!
Quando ia para lá, sentia muito medo – pois quase sempre tomava injeção (bezetacil, dentre outras…). Mas por outro lado, quando estava lá, eu gostava de reparar na arquitetura do lugar – mesmo não sabendo nada sobre arquitetura. Adorava ficar olhando os jardins, entre as alas, onde se podiam ver outros prédios do complexo. Me lembro que havia uma estátua próxima à enfermaria (pediatria). Lembro-me do enorme salão, do banco onde esperávamos minha mãe na fila – logo na entrada do hospital, onde havia um guichê para o primeiro atendimento…
Anos depois fiquei sabendo da situação em que se encontrava o hospital (precisamente em maio do ano passado). Desde então iniciei uma luta, ao lado da minha irmã e nossa colega Larissa (filha de uma ex-funcionária do hospital), para salvar o hospital da mais completa ruína!
Alguns meses se passaram desde então e vimos, em visitas recentes ao hospital, que o complexo não lembra quase nada do que um dia foi! Não encontramos vida naquele lugar, mas um amontoado de lembranças, de recordações daquele que foi o lugar que mais frequentei durante toda a minha infância (dos anos 80 até 1992). Sentimos uma mistura de sentimentos contraditórios ao ver aquele lugar completamente abandonado… Aquele que foi um presente dos imigrantes italianos para nós, paulistanos. Sentimos muita indignação ao ver aquela jóia arquitetônica de São Paulo (um palacete baseado na arquitetura neoclássica do fim do século XIX) se transformando em ritmo acelerado em ruínas!!! Um lugar que é sombra do que foi um dia, um espectro.
Mesmo assim, ainda parece haver um fio de esperança, um resto de vida que insiste em resistir à ação do tempo e da especulação imobiliária – ao descaso! Senti como se aquele lugar pedisse socorro. Urgentemente, antes que realmente tenha um fim! A vida ainda pode prevalecer sobre a morte naquele lugar tão carregado de lembranças, de histórias de vidas – que faz parte da história de São Paulo!
Estamos nessa luta (eu , minha irmã) e, à medida que o tempo passa, estamos conseguindo o apoio de mais pessoas (ex-pacientes, ex-funcionários, associações etc.). E, se Deus quiser, nosso Hospital Matarazzo ressurgirá das cinzas, como uma Fênix!
Nosso objetivo é que primeiramente os atuais proprietários façam obras emergenciais nos edifícios, pois a situação é crítica! Queremos que os prédios sejam restaurados e reutilizados como hospital "público". Para isso ser possível, estamos em campanha para que o governo municipal ou estadual compre o imóvel da PREVI e assim dê um uso ao complexo hospitalar…
Tenho certeza de que a vida prevalecerá sobre a morte!
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