Quando meu concunhado ainda apanhava passageiros na rua, vários fatos aconteceram que merecem ser relatados.
Tem o passageiro que esqueceu a marmita no banco traseiro. Muitos talvez não teriam coragem de comer. Ele comeu, mesmo fria. Estava saborosa, repleta de misturas. Economizou um almoço naquele dia.
Tem a história da mulher bêbada que vomitou no banco traseiro.
Tem a história de um velho pedófilo que ficou no banco traseiro com um garoto praticando atos obscenos até chegar ao hotel, em que ele pediu que o garoto entrasse primeiro para ele ir em seguida.
A mais curiosa é a de uma mulher que ele teve que expulsar do carro, quase a tapa. No topo da Rebouças ele adentrou à esquerda no túnel que leva à Dr. Arnaldo. Como o destino era o Pacaembu, ele entrou em seguida à direita para pegar a Major Natanael. A mulher deu um grito, fez o carro parar e queria porque queria que ele desse marcha a ré até a bifurcação e seguisse pela Dr. Arnaldo. Ela alegou que ele estava dando voltas com ela para faturar mais. Voltar de ré ali seria suicídio, mas como a mulher estava irredutível e já ameaçava armar um barraco, ele saiu do carro, deu a volta e praticamente a arrancou de dentro e a jogou para fora. Nem cobrou a corrida. Largou a mulher dentro do túnel.
Certa vez ele estava parado no trânsito, um homem fez sinal para ele e entrou. Sentou no banco da frente. Ele estranhou, porque à frente dele estavam dois outros táxis igualmente vazios. O passageiro falou:
– Com um bofe como você dirigindo eu ia entrar em outro carro?
O destino era a USP. No caminho teve que aguentar o sujeito se insinuando o tempo todo. Ele ia com um olho no trânsito e outro no cara. Em dado momento o cara veio com a mão, pronto para dar a famosa "pegadinha". Ele berrou: – Não pega! – Ah, mas só um pouquinho, vai! – Eu já falei, não pega! Já lhe disse que a minha praia é outra.
Já na USP, em uma bifurcação em T, ele perguntou: – Entro à direita ou à esquerda? – Aí depende, se você quiser "alguma coisa", entre à direita, se não, à esquerda. Virou à esquerda. Chegando ao destino o cara o convidou para tomar um chá com biscoitos no seu escritório, convite aceito de bom grado, já que ele estava há um bom tempo sem comer. Quando entrou no escritório, o passageiro mudou o tom de voz, passou a agir como homem, dando bom dia a todos. Em uma última e desesperada tentativa, ao pagar a corrida, colocou seu cartão no meio das cédulas. Ossos do ofício.
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