Cinematográfica Atlântica – Lembranças

Lá pelos anos de 1950 e 1960, umas das minhas diversões era ir ao cinema assistir aos filmes da Cinematográfica Atlântica com Oscarito, Grande Otelo, Cil Farney, Anselmo Duarte, Eliana e tantos outros artistas que faziam muito sucesso na época.

Minha família tinha uma loja na Rua da Consolação, 2320 (Camisaria Adduci). Naquele tempo a Rua da Consolação era uma rua estreita, passava bonde. A Camisaria ficava bem em frente ao Hospital São Jorge, perto da Avenida Paulista.

No local onde hoje está instalada as Lojas Pernambucanas era o Cine Ritz, um cinema muito bonito (só podia entrar de paletó e gravata).

Os filmes eram rodados todos na cidade do Rio de Janeiro, e eu ficava encantado com a beleza da cidade maravilhosa, com os locais onde eram rodadas as cenas dos filmes, as marchinhas de Carnaval que eram bem diferentes de hoje em dia, com aqueles Carnavais de salão.

Até que nos meados de 1960 um amigo, como ia a trabalho ao Rio de Janeiro, convidou-me para conhecer. O transporte ferroviário na época era uma beleza, a limpeza nos trens, a educação dos funcionários, o carro restaurante era um luxo, a comida de primeira, sem falar da pontualidade no horário.

Pegamos um trem na Estação do Braz e fomos pela Estrada de Ferro Central do Brasil até a Estação Pedro II, chegando lá fomos direto para o Rio Hotel, que ficava na Praça Tiradentes, esquina com a Rua da Carioca. Me senti o próprio artista participando dos filmes da Cinematográfica Atlântica.

Esse era o Rio de Janeiro que conheci, sem violência, nos anos de minha juventude. Para mim foi uma emoção passear pelas Praias de Copacabana, ver o Hotel Copacabana Palace, andar de bondinho do Pão de Açúcar e visitar o Cristo Redentor, pois da janela do Hotel dava para ver o Cristo, e por final assisti ao jogo no estádio do Maracanã.

Esse era o meu Brasil, mais alegre, do futebol, arte jogada com amor, dos Carnavais nos clubes, o Brasil do respeito, sem violência, de uma geração que respeitava os pais, os mais velhos, os professores, quantas saudades desse tempo.

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