As parteiras

Dos nove filhos que minha mãe teve, oito nasceram em casa, trazidos por mãos de parteiras. O engraçado é que todas se chamavam Maria. Uma delas, inclusive, era minha tia, irmã de meu pai.

Eu era a terceira filha por ordem de nascimento. Portanto ficava junto com os outros dois, encarregada de tomar conta dos menores, quando chegava a hora do parto.

Ficávamos num cômodo ao lado dos aposentos de meus pais, acompanhando toda movimentação. Lembro-me que ficava intrigada com a quantidade de água fervente que entrava no quarto. Pensava… será que vão queimar o bebê?

Era muita ansiedade, até ouvirmos o tradicional chorinho de mais um irmãozinho.

Então, aguardávamos pacientemente que toda assepsia fosse feita no pequeno(a) e na mamãe.

Aí, levados pela tia Maria (essa irmã de minha mãe), entrávamos no quarto para conhecer o mais novo morador daquela grande casa, cantando uma musiquinha assim: "La gigiota la ga um bambim que belim ma que belim, que boquim que bel nazim, e la gigiota la ga um bambim”…

Depois de toda essa alegria, vinha o ciúme, pois alguns irmãos tinham diferença de treze meses e todos queriam desfrutar do colo e dos seis fartos de minha mãe.

Hoje não sei se existem mais parteiras nos grandes centros. Mas quero deixar aqui minha homenagem a todas elas, Marias ou não, que com suas mãos abençoadas ajudaram a trazer tantas e tantas crianças a este mundo.

Obrigada / Bernadete.

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