Quando estudante fiz o C.P.O.R. – Curso Preparatório de Oficiais da Reserva – o serviço militar destinado aos alunos de nível universitário. O quartel era bem distante, na Rua Alfredo Pujol, em Santana, percorrida a pé em grande extensão, já que o ônibus, o segundo deles que eu tomava, estacionava na Voluntários da Pátria. Acordava às 4h30min e às 6h tinha de estar "em forma". Esse curso era feito nos finais de semana e, durante as férias, diariamente.
Marchas prolongadas, exercícios estafantes, acampamentos e aquela rigorosa disciplina militar que assusta os desprevenidos civis. Cícero nos diz que mesmo os males passados nos trazem agradáveis recordações. Vou-lhes dizer uma coisa, um segredo: esse foi um período em que eu, sem remorso ou constrangimento, suprimiria de minha biografia e de minhas reminiscências. Jamais tive vocação marcial e foi um verdadeiro suplício submeter-me à difícil e extenuante vida de caserna.
Desse tempo, confesso, só ficou a lembrança de um temido sargento. Disciplinador rigoroso, enérgico, agressivo às vezes e que possuía um inesgotável repertório de palavrões.
Certa vez, cometi falta considerada grave para os padrões militares. Ingerira em noite chuvosa e fria, como tantos outros companheiros, um pouco de bebida alcoólica num dos acampamentos; como não estava habituado me dei mal e fui flagrado. Temi pela minha sorte. Poderia ser severamente punido ou até expulso, o que seria desastroso para o meu incipiente currículo. Foi nesse momento que o referido sargento mostrou sua verdadeira face. Chamou-me à sua presença, passou-me uma paternal e inesquecível descompostura, "presenteou-me" com alguns conselhos e, em seguida, dispensou-me amigavelmente, garantindo que o fato não seria levado ao conhecimento dos superiores.
Coração mole tinha o Sargento Duro, o único nome que guardei daquela desagradável e longínqua experiência. Obrigado, Sargento Duro!
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