Ouvidas no metrô de São Paulo

Não que eu seja bisbilhoteira, mas às vezes é impossível deixar de ouvir as conversas no metrô de São Paulo. Sem querer a gente ganha acesso a pequenas janelas na vida dos outros Paulistanos e dá pra conhecer a nossa gente um pouco melhor. Aqui vai uma pequena seleção de “ouvidas no metrô”:

Dois rapazes de mais ou menos vinte anos:
– “…aí o menino me pediu um pedaço do sanduíche que eu estava comendo e eu fiquei com pena, cara, e cortei a metade pra ele. Sabe o que ele fez? Cortou a metade da metade e embrulhou pra levar pro irmãozinho… Cara, quase chorei.”.

Duas senhoras de aproximadamente sessenta anos:
– “Eu preciso mesmo fazer esta operação, só que a viagem pra São Paulo já estava marcada. Olha, dona Lurdinha, se eu tiver que morrer que morra, mas vejo São Paulo primeiro. Já faziam doze anos que não voltava pra minha terra.”.

Jovem bonita de uns dezoito anos para amiga:
– “Desisti de casar com ele porque ele queria me proibir de ir no Silvio Santos. Eu gostava dele e ainda gosto, mas deixar de ir no Silvio não deixo não”.

Garota de uns quinze anos, usando um casaco em dia de muito calor, para coleguinha:
– “Puxa, que calor, mas se eu não usar este casaco sai da moda”.

Homem de meia idade para outro, dez horas da noite:
– “Eu falei pra patroa que ia trabalhar até tarde, e não é que eu estava saindo do bar quando ela passa bem em frente! Ainda nem sei se ela me viu, mas se me viu, tô perdido.”
– “Mas e ela, que estava fazendo na rua?”
– “É mesmo, não tinha pensado nisso!”

Menininha de uns nove ou dez anos:
– “Mãe, se você me der o DVD eu vou te amar incondicionalmente”.

Rapaz para moça bonita:
– “Passa lá em casa pra gente tomar um cafezinho”.
(ah, conta outra)

Duas senhoras:
– “Eu tenho plena confiança na minha filha. É no seu filho que eu não confio.”

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