Como enganar uma criança…

Na nossa infância (para aqueles que já passaram dos 40), era fácil, fácil enganar uma criança quando a criança éramos nós! Fui ludibriada certa vez pela minha mãe e não esqueço até hoje (perdoei, mas não esqueço).

Nossa inquilina (que morava no mesmo terreno) havia comprado uma cabrita. Coisinha mais linda, com aqueles olhinhos "pidonhos", um "mééé" que mais parecia súplica… um mimo de bichinho.

Durante o dia ela pastava no terreno ao lado de casa e à noite ela dormia no galinheiro, amarrada ao puleiro. Achei que aquele animalzinho seria o bichinho de estimação da D. Joaquina: cada um tem o bicho que quer: cães, gatos, cabritos, gansos, passarinhos.

Brincava com ela quando podia… Fui tomando amor pela Bita. Contudo, certo dia, sem mais nem menos, a Bita sumiu. Minha mãe disse que, como ela daria muito trabalho, ela havia sido dada, mas não me disse para quem…

Passados uns dois dias, minha mãe tinha como mistura uma carne esbranquiçada… um pouco seca. Desconfiei que fosse parte da Bita e não quis comer. Minha mãe insistiu dizendo que era carne de frango, mas… cadê a pele do frango? Aquela carne não tinha pele de frango!

Ela insistiu para que eu comesse e disse que havia tirado a pele, pois estava muito gordurosa. Acabei acreditando e comi.

Anos mais tarde minha mãe confessou que havia me enganado e me veio rapidamente na lembrança aqueles olhos "pidonhos" da Bita… Aí, quem fez "mééé" fui eu…

e-mail do autor: [email protected]