Até o advento da televisão não se dispensava o rádio. Era o companheiro de todas as horas. A dona de casa, o barbeiro, o motorista de táxi, o operário da construção civil, o pintor de paredes, ninguém o ignorava. Estava presente nos bares, nas quitandas, nas fábricas, nas farmácias ou nas panificadoras. Era o companheiro de todas as horas.
Ainda adolescente eu curtia muito certos programas, que marcaram aquele período de minha vida. Logo cedo eu me ligava no programa comandado por Ricardo Macedo na Rádio Excelsior, "O diabo disse Não!, no qual se comentavam os lançamentos fonográficos com competência e bom humor. A Excelsior, por sinal, tinha um slogan muito interessante: "O maior auditório do Brasil – uma poltrona em cada lar". Criativo, não é mesmo?
Ao meio-dia a superesperada "Parada de Sucessos" da Rádio Nacional Paulista, cujo locutor vibrante tocava os sucessos do dia. Quem souber o nome dele me ajude. Havia músicas que permaneciam meses na Parada. Lembro-me de "Conceição", com Cauby, "Saudades da Bahia" com Caymmi, "Piston de Gafieira" com Silvio Caldas. Em 1954, o dobrado "Quarto Centenário", de Mario Zan, permaneceu quase o ano todo em evidência.
Aí por volta das 13 horas havia outro campeão de audiência – "Telefone pedindo bis", com Enzo de Almeida Passos, na Rádio Bandeirantes. Apresentava uma seleção de dez ou quinze músicas e depois de um intervalo em que os ouvintes escolhiam suas preferidas, as mais votadas eram bisadas sob grande expectativa dos "eleitores".
Alguns anos depois, Helio Ribeiro, excelente comunicador, na Tupi, mantinha um programa que tinha uma característica especial: a tradução simultânea das letras em inglês para o português. Foi numa dessas que ouvi para não mais esquecer "I left my heart in San Francisco", com Tony Bennett. "Este programa é ouvido pela moça do Karmann Ghia vermelho", era um de seus bordões preferidos.
Para não me estender demasiado quero fazer referência a Dó-Ré-Mi, programa de tangos com discos cedidos por Jacob Rosemblat, dono da maior discoteca do país no gênero. Para quem admirava música americana, a sacada era escutar o programa de Renato Macedo (irmão do Ricardo) "Ecos da Broadway", ou seria "Ritmos da Broadway"? Tenho dúvidas. Mais uma vez peço "ajuda aos universitários".
Na programação noturna, Moraes Sarmento era imbatível com brasileiríssimo repertório, no qual ele não escondia sua paixão pelo "Cantor das Multidões" Orlando Silva.
Nas madrugadas, a agitação ficava por conta sabe de quem? Quem sabe, sabe! Ele mesmo, "O magrinho elétrico" Joel de Almeida, o do chapéu de palha, batendo papo, contando histórias e prestigiando o nosso samba. Grande figura!
Vale ainda citar a Rádio Gazeta, com programação de música erudita, com locutores sóbrios e corretos e que não veiculava jingles.
À noite predominavam os programas humorísticos, esportivos ou os noticiosos, temas para outros relatos. Finalizo dizendo que até hoje ainda me lembro do prefixo do "Grande Jornal Tupi" simbolizando, quem sabe, um período rico, vibrante e inesquecível do rádio paulista. Sorte de quem viveu aqueles momentos!
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