A família Rudge

João Maxwell Rudge nasceu em 16 de setembro de 1839, no Rio de Janeiro, filho do inglês John Rudge e de Maria Amália Maxwell, também filha de inglês, o britânico Joseph Maxwell, nascidos nos rochedos de Gibraltar, à entrada do mar Mediterrâneo.

Esse John Rudge foi grande empreendedor tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo. Na capital paulista comprou uma fazenda na zona sudoeste, às margens do rio Pinheiros, entre Santo Amaro e Pinheiros, a que deu o nome indígena de Morumbi, e que veio a ser, com o correr do tempo, em 1960/1980, o bairro paulistano mais elegante e onde está construído o luxuoso Palácio dos Bandeirantes (sede do governo do Estado), o moderno Hospital Alberto Einstein e o espaçoso estádio de futebol do São Paulo Futebol Clube.

Numa parte desse terreno, Oscar Americano plantou, não faz muito tempo, um exemplar de cada uma das espécies da flora brasileira. De início meteu-se no comércio e a começo progrediu. Mas, certo de que todo mundo era honesto, foi vítima de umas trapaças e faliu. Mas, à custa da sua fortuna particular, pagou suas dívidas até o último vintém e levantou-se sem dinheiro, mas extremamente prestigiado como pessoa correta cem por cento.

Convidado por André Rebouças e Paula Sousa, seus amigos, foi deles auxiliar direto e imediato nas obras da Companhia Paulista de Estradas de Ferro em Limeira. Não era engenheiro, mas conhecia engenharia como se o fosse.

Em 1850, São Paulo tinha 40.000 habitantes e começava a subir. Em 1890, tinha 65.000 e crescia rapidamente. Em 1900 já tinha 130.000 e em 1905, 300.000.

Desde muito tempo já, o chafariz do Largo da Misericórdia e a Caixa D'Água da Rua Barão de Paranapiacaba tinham se tornado obsoletos. A água passou a ser um problema angustiante. Foi então construída a represa da Cantareira. O material necessário a essa construção tinha de seguir da cidade… e não havia estrada nem veículos para isso. O caminhão e o asfalto ainda não tinham sido inventados.

Para dar solução ao caso, foi então construída uma pequena estrada de ferro, muito mofina, de bitola estreita com seis centímetros, que saía da antiga Rua João Alfredo (atual Rua General Carneiro), esquina da Rua 25 de Março, seguia pela atual Rua da Cantareira, Avenida Cruzeiro do Sul, atingia o bairro de Santana, ia depois pelo Mandaqui, e pelo Tremembé e parava no sopé da serra da Cantareira.

Terminada a represa, os trilhos continuaram a ser utilizados então para modestos vagões abertos (iguais aos bondes da Light & Power) transportadores de passageiros. Cada hora e meia corria um trem, que durante anos levou o progresso aos bairros do norte da cidade.

Para construir essa pequena ferrovia havia sido chamado o engenheiro inglês William Whitmann, que logo foi buscar João Maxwell Rudge para ajudá-lo.

Terminada essa tarefa, Maxwell se dedicou à construção de prédios. Estavam nascendo os bairros de Hígienópolis e Vila Buarque e ele foi levantando luxuosas mansões para os abastados barões do café.

A Vila Buarque era o bairro chique por excelência. Não havia ainda a Avenida Paulista.

Por ocasião dos estudos do açude da Cantareira, Maxwell pôde estudar toda a zona norte-oeste da cidade por meio de mapas então desenhados. Com as economias rigorosas que eram o seu velho costume, e com o auxílio de sua mãe, então ainda viva, reuniu dinheiro para comprar a fazenda do Mandaqui, já então chamada "Sítio da Casa Verde".

Anos depois, em 04 de junho de 1897, morreu, tendo sido enterrado no cemitério da Consolação, que nessa época tinha já quarenta anos de existência, pois havia sido inaugurado em 1858, segundo Azevedo Marques em Apontamentos Históricos", 1º. vol. verbete "Cemitério da cidade"". Maxwel tinha então apenas 58 anos.

Uma rua localizada no bairro da Casa Verde tem o nome de João Rudge. Atravessando a ponte sobre o rio Tietê começa a Avenida Rudge, que também o homenageia. A mesma pessoa ser homenageada duas vezes, com nomes de logradouros públicos, se repete em São Paulo, como, por exemplo, no que diz respeito ao Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho. Existe, no Sumaré, a Avenida Dr. Arnaldo e, no centro velho, a Avenida Vieira de Carvalho.

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