Maudinho de Pongaí

Meus pais tinham um Empório de Secos e Molhados, aqui na região do Brooklin, lá pelos idos da década de 50.

Certa ocasião chegou uma carta de uns parentes distantes, lá do interior do Paraná, onde eles residiam, apesar de todos terem nascido em Pongaí – SP.

Na carta, devido às dificuldades financeiras que estavam passando, pediram a meu pai para arrumar serviço para o filho mais velho, que tinha 17 anos e era "pau para toda obra".

Condoído pela situação do mesmo e também por estar necessitando de um rapaz, foi buscá-lo e o trouxe para trabalhar e morar conosco.

Ele era considerado "velho" para os padrões de nossa turma. Começou a trabalhar no Empório, fazendo entregas e limpeza.

Após o expediente, juntava-se à turma para "bagunçar" também.

Maudinho de Pongaí, como o chamávamos, tinha um forte sotaque caipira, o que nos fazia rir.

Quando chegou em São Paulo, ele dizia, para impressionar a turma, que havia frequentado uma "Escola de Malandragem" lá no Paraná.

No primeiro final de semana que a turma saiu para "farrear", o Maudinho se arrumou todo, e pasmem, veio vestido com calça rancheira, bota meio cano, chapéu de boiadeiro e na cintura uma faca com bainha e um cinturão cartucheira com uma garrucha de dois canos.

Haja risadas… Perguntamos o porquê de tudo aquilo e ele disse que na "Escola de Malandragem" do local em que ele morava dizia-se que em São Paulo tinha muitos malandros, e ele queria se prevenir…

Hoje, aposentado, morando aqui no bairro de Santo Amaro, de vez quando o encontramos e relembramos essa história, e ele confessou que era para impressionar a turma e ganhar respeito…

Maudinho de Pongaí ri e diz que nunca foi feliz como naquela época e que nunca mais quis sair de São Paulo.

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