Bar do Bigode

Mais uma lembrança maravilhosa da minha mocidade, talvez para muitos não tenha nenhum interesse.

Foi em 1960, na Rua da Consolação, próximo a Avenida Paulista, tinha um simples bar, o Bar do Bigode, onde todos os dias nos reuníamos, digo, todos os amigos da Consolação.

Era uma turma alegre, jogávamos futebol, íamos aos cinemas, namoramos, enfim, tudo o que um jovem faz. Dessa turma saiu artista de TV, cinema, boxe, juízes de direito, grandes advogados, uma turma de sucesso.

Depois de muitos anos sem notícias dos grandes amigos, encontrei um amigo e me contou que muitos tinham falecido: o Chicão (o nome artístico era Francisco di Franco, tinha morrido na miséria, como motorista de ônibus), o boxeador Pedrão tinha lutado com Luisão no passado, também estava doente e morreu como zelador num prédio no Largo do Arouche, o Ivan Cipriano, esparing de Eder Jofre, estava num albergue, tinha amputado uma perna, estava velho e doente. O Paulinho, professor de português, também tinha morrido do coração. Outro grande amigo, o China, e vários outros, mas outros estavam vivos e ricos, graças a Deus.

Quando eu disse no começo uma lembrança maravilhosa, pode parecer estranho, mas eu sinto saudades da época do Bar do Bigode. Cada um seguiu o seu caminho honestamente, mas quis o destino que muitos partissem cedo desta vida.

Esta é uma homenagem aos queridos amigos do Bar do Bigode. Tenho certeza que nós vamos nos encontrar um dia, só que atrás do balcão estará Deus. E vamos continuar a contar histórias e rir bastante como nos velhos tempos.

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