O temporal

As almejadas férias escolares chegavam e no mês de dezembro começava a bagunça nas ruas. A alegria era geral.

Éramos um grupo de uns dez moleques, quase todos da mesma faixa etária. E os pais diziam: – Acabou o sossego…

Nossos divertimentos eram jogar bola, pescar, empinar papagaio, nadar nas lagoas então existentes aqui na região Brooklin/Chácara Santo Antonio etc.

Certa tarde, quando estávamos caçando preás nos descampados próximo a chácara do sr. Manoel Português, nas proximidades da várzea do rio Pinheiros, eis que de longe já começávamos a perceber os primeiros sinais de relâmpagos.

Nossos pais sempre nos orientaram a nunca ficar debaixo de árvores quando chovesse.

O céu começou a escurecer e ficar tenebroso. E os primeiro raios começaram a cruzar os céus e os trovões a retumbar pelos ares.

Temerosos, dirigimo-nos à casa do sr. Manoel Português.

Os pássaros recolhiam-se aos seus ninhos, os animais aos seus abrigos e os homens aos seus lares…

O dia transformou-se em noite. Todos encolhidos no canto da sala; não se ouvia uma só palavra…

Estávamos apavorados e trêmulos, olhos arregalados e um só pensamento:

– Será o fim do mundo?

Era o temor pelo temporal que se aproximava… Foi um verdadeiro vendaval.

O tempo passou, como tudo passa nesta vida…

Hoje, já nos aproximando da estrada que nos levará para a eternidade, recordo-me com saudades do temporal que o vento já levou…

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