Para quem está na faixa dos cinquenta anos, ou já passou dela, sabe muito bem o que era ser traquinas até os dez/doze anos. Pois bem: tenho uma história para contar que, para mim, jamais sairá da lembrança, pois tenho marcas físicas do incidente/acidente.
O ano era de 1968. Estava no terceiro ano primário no Estadual da Penha. Haveria uma apresentação com alunos do primário e eu era uma das participantes. Pais foram convidados.
Como naquele dia não haveria aula, antes de irmos para o anfiteatro ficamos brincando no pátio. Esconde-esconde, pega-pega. Não lembro bem se eu estava fugindo de alguém, ou se estava indo atrás de alguém, o certo é que corri em direção à quadra por debaixo da rampa que tem no colégio. Como criança corre? Parecendo borboleta: "asas e boca aberta". De repente, colidi com alguma coisa… fiquei tonta na hora… o baque foi violento (eu estava voando baixo). Não cheguei a desmaiar, mas quando dei por mim, minha boca estava ensangüentada. Pensei na hora ter batido na pilastra que é redonda, pois estava bem no meu caminho, mas não… mordi (literalmente) a testa de um menino que também ia participar da apresentação.
Resultado da colisão: o pai do garoto correu com ele para o pronto socorro do Hospital da Penha, levando três pontos pelo corte que eu provoquei.
Minha mãe não havia ido, então, duas faxineiras da escola, com autorização dos professores, me levaram a um dentista. Ele disse que eu deveria apenas fazer bochechos com água oxigenada e aguardar uma semana para ver se o dente caía ou não, pois ele ficou totalmente mole. Meu lábio superior imitava a raça Zulu – fiquei com "beição".
Depois de uma semana o dente fixou novamente, mas eu havia perdido um pedacinho, que foi achado na testa do garoto. Fui ao dentista, que colocou uma camada posterior de ouro, "remendando" a parte que faltava com porcelana.
Assim ficou até 1978, quando tive de fazer canal neste dente. Tratei o canal e acabei fazendo o que na época chamavam de "jaqueta".
Em 1982 (já bem adulta), perdi parte da raiz. Desta data em diante, as idas ao dentista por causa do mesmo dente foram mais constantes, até que vim a perdê-lo de vez.
Graças a Deus hoje temos os implantes!!! Maravilha da tecnologia!!! Sorriso novo!!! Quem manda correr estabanada?
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