Saudades de minha rua

Meninos, ainda em idade pré-escolar, saímos de Pongaí – interior – e viemos morar em São Paulo – Brooklin/Clube Banespa -, na década de 50.

Meu pai se estabeleceu no bairro e adquiriu um empório de secos e molhados que ficava em uma esquina, sendo a rua da frente, calçada com paralelepípedos, que perduram até hoje.

A rua ao lado que, na época, chamava-se XV de Novembro, de terra, era a "nossa rua".

Jogávamos bola, taco, bolinha de gude, pião. Tudo.

Não havia perigo, pois os carros eram raros e quando passavam eram de pais moradores do bairro.

Quando chovia, fazíamos "dique" e brincávamos no maior lodaçal. Coitadas de nossas mães.

O tempo passou…, a infância se foi…, e do bairro pouco a pouco os amigos remanescentes foram-se mudando para outras plagas. Ninguém ficou, só a "nossa rua".

Ela cresceu, foi asfaltada. Novas moradias surgiram e o comércio pouco a pouco foi tomando conta da mesma, prédios, supermercados.

Hoje, décadas depois, por capricho do destino, estou estabelecido comercialmente no mesmo bairro onde morei e perto da mesma.

Nas horas vagas, caminho pelo bairro, a sós, ou com o meu netinho Lucas, e vou "visitar" a rua de minha outrora e longínqua infância.

Hoje, nesta tarde amena de primavera, o levei para que ele a visse. Parei por um instante e de repente minha memória, em devaneios, trouxe-me aos tempos de meninice… Vi-me brincando e jogando bola com meus amiguinhos e ouvindo minha mãe, filhos… o almoço está pronto… venham.

Creio que adormeci, pois acordei com uma mãozinha me puxando e uma vozinha infantil falando:

– Vô… Vô…, por que você está chorando?

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