Caricaturas esportivas

"- Qual é o seu nome?

– Pelé!

– Mas seu nome mesmo não é Edson?

– Edson era antes do nascimento…"

Esse diálogo com trocadilho de bom gosto foi criado pelo chargista Dino de Andrade, no começo da carreira de Pelé, cujo nome verdadeiro é Edson Arantes do Nascimento, e que guarda o original em sua coleção particular.

Desde que o futebol existe, foi alvo dos humoristas. Charges, personagens de quadrinhos, programas de TV e rádio, bordões dos locutores esportivos, que criaram uma cumplicidade explicita entre futebol e humor.

Um exemplo é o caso do Palmeiras, hoje tratado como porco porque um torcedor soltou o animal dentro do campo durante uma partida. Os próprios símbolos dos clubes são caricatos. O Corinthians é o mosqueteiro, o Santos é a baleia, o Fluminense é o pó-de-arroz, mas o que traduziu fielmente esta irreverência foi o Flamengo com o urubu. A partir de uma charge de Henfil, publicada em meados de 70 no Jornal dos Sports do Rio, a expressão ganhou força. Quando o Flamengo naquele dia entrou em campo, a galera veio abaixo num coro só: URUBU. E ficou.

Os jogadores também não foram esquecidos: Fio Maravilha, Beijoca, Garrincha, Canhoteiro, Mão de Onça, Cabeção, Serginho Chulapa, Cafu, Paulo César Caju…

O rádio e a televisão sempre brincaram com os jogadores. Nos anos 60, no programa de TV "Miss Campeonato", a atriz Anilza Leone era disputada semanalmente após a rodada do Campeonato Paulista pelos representantes de cada clube, até quando, de fato, o campeão da temporada se "casava", então, com a miss; engraçado é que todo ano ela se "casava" com o mesmo ator, Luiz Pihi, que representava o Santos, que vivia uma época de ouro.

A Jovem Pan, após os jogos, transmitia os comentários e as sátiras de Serginho Leite e Tatá, que certamente tinham boa audiência. O torcedor do time derrotado precisava ter um grande senso de humor para aguentar a brincadeira. Osmar Santos ficou popular pela narrativa com expressões do tipo "ripa na chulipa e pimba na gorduchinha, garotinho". Silvio Luiz, na TV Bandeirantes, até hoje brinda o telespectador com observações de humor bem ferino: "pelo amor de meus filhinhos…".

Na propaganda durante a copa de 1982, o desenhista Perón criou para a Gillette o personagem Pacheco, Camisa 12. Irreverente e espalhafatoso, teve uma excelente acolhida e só abandonou o campo depois do processo movido pelo seu criador por direitos autorais. E quem não se lembra do Jô Soares como o Zé da Galera, caçoando da seleção ou ironizando o Corinthians: "Esse time só me dá alegria".

As analogias definem bem os tipos de jogadas: chapéu, carrinho, chaleira, bicicleta, mata no peito, drible da vaca. Caricaturar os políticos é tradição na imprensa, mas os jogadores de futebol caíam fácil nas mãos de Ziraldo, Geppe, Maia, Laerte, Pato Geandré, Oswaldo, Lan e outros.

A TV Globo, volta e meia, usa as imagens dos piores momentos da partida, quase uma cópia do quadro Vídeo Cassetadas que o Faustão apresenta em seu programa. O resultado é um autêntico pastelão.

Chico Anísio foi mais longe quando, após 70, nosso futebol sofreu um processo de tecnocracia. O futebol arte começou a desaparecer, o profissionalismo entrou em decadência e, então, Chico criou o Coalhada no programa "Chico City". Era o tipo do cara enganador, mascarado, anti-esportista, que só tinha a malandragem e não chegava a resultado nenhum.

Com a mesma facilidade com que leva a sério seu clube, o brasileiro não leva o dos outros. Talvez seja por isso que o futebol não é só uma paixão, mas também uma grande gozação nacional.

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