Terça-feira só me ferro. Toda terça é essa coisa. Tenho de acordar uma hora mais cedo por conta desse bendito rodízio.
Outro dia, inclusive, por apenas quatro minutinhos, o filho da mãe do marronzinho (agora entendo porque esse apelido) me multou. Só quatro poucos minutinhos para as sete e ele sacou a sua imperdoável caneta para me pungar em quarenta e poucos reais.
Até daria para discutir a precisão dos relógios, mas a gente tem alguma chance com essa gente? Tão sempre enfiando a mão no bolso do pobre contribuinte. Daquele que tem trabalho e residência fixa e um veículo para lhe dar uma certa mobilidade – pois, com o trânsito de São Paulo, essa “mobilidade” é sempre certeza de algum congestionamento em algum canto da cidade. Que o diga o nosso querido repórter aéreo GN (Deixa eu dar uma bajulada no hôme. Quem sabe ele lê esse meu texto no seu programa e assim fica registrada essa minha veemente queixa sobre essa casta implacável e abominável de dedos-duros alcagüetes acéfalos).
Esses filhos da mãe, pra não dizer o que realmente eles são (os marronzinhos), deviam mais era estar nesses locais de congestionamento, auxiliando na melhoria das condições de trânsito, e não com essa predisposição voraz penalizadora arrecadatória, muitas das vezes sem a mínima razão. Fica aqui registrado o meu protesto. Que alguém leia isto!
Mas não adianta reclamar. O jeito é mesmo ajustar o despertador para tocar uma hora antes e sair atrás do ganha-pão, pois o meu não vem da punga no bolso de ninguém. Só vem mesmo é com muito suor, e nem assim, muitas das vezes.
E nesta última terça-feira, como de praxe, cheguei ao escritório antes das sete. E de tão cedo, acabei encontrando a portaria do prédio ainda fechada (abre exatamente às sete). Me restou, então, tomar aquele já famoso cafezinho no tão famoso bar do Ari.
Tá certo que o café nem é lá essas coisas, mas depois de insistentes pedidos (e acho até pela suposta fama, aqui revelada no site), ele, o Ari, acabou colocando uma máquina de café expresso, para o refinado paladar de alguns especiais clientes (não fregueses, por favor), como eu e o Dr. Paulo, meu prestigiado amigo.
Então, agora, lá ao lado da antiga cafeteira ebulidora de água e café passado no saco (coador), está disposta uma moderna máquina de café italiana da marca Saeco, que, segundo o Ari, é um saco de operar.
Mas não pense você que o café ficou no mesmo preço. Agora há as duas opções: o café de saco-coador, mais barato, e o café da Saeco, mais caro e para poucos, como o Dr. Paulo.
Outra coisa que estamos reivindicando junto ao Ari é um televisor de 29 polegadas, pois o de 20, lá instalado, já é insuficiente para o aglomerado de público nos dias de jogos da seleção e nos dias de escândalos no Congresso – por sinal, agora todos os dias, pois quando não é o mensalão denunciado pelo Bob Jeff é o mensalinho do Severino.
E esse tal mensalinho, dizem que foi por causa do contrato do restaurante lá do prédio do Congresso, restaurante que deve servir, com toda certeza, cafezinhos de graça para os políticos da tal máquina Saeco, com que o Ari não se atreve a dar.
Mas, vâmo que vâmo. Deixa eu acabar de tomar meu cafezinho da máquina, acompanhado pelo inevitável e tradicional pão na graxa tostado na chapa. E pra ser tradicional, tem de ser com a autêntica manteiga de lata: a Aviação. Um avião de manteiga! Não me venha o Ari me dar uma marronzada e passar margarina no meu pão, não! A tal da Delícia Cremosa que fique pro pão dele. Pão na graxa que se preza tem de ser com a inigualável Aviação: a manteiga da lata.
E falando em aviação, deixa eu voar pro escritório que tenho de ganhar o meu pão de cada dia, pois a portaria já abriu e não quero ser chamado pelo patrão, "na lata", de displicente e preguiçoso.
Fui.
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