Trabalhava eu um banco chamado Lar Brasileiro, mas que, em verdade, tinha pouco de brasileiro, dado que um banco americano acabou por comprar quase todas suas ações, o que fez com que se tornasse mais um estrangeiro no Brasil com o nome Chase. A bem da verdade, lá cheguei quando o banco já era um dos estrangeiros no Brasil.
Certa feita, quando era o gerente da agência Ana Rosa, no bairro da Vila Mariana, fui convocado para um curso de análise de crédito na sede, no Rio de Janeiro. Como ordem é ordem, meu substituto chegou à agência dias antes, para que tomasse conhecimento das coisas daquela agência, dos seus funcionários, dos seus clientes, enfim, de como funcionava o negócio todo. Tudo dito, tudo explicado, fui eu embora.
Certa tarde, já no Rio e em pleno curso, recebo um telefonema de São Paulo informando que "minha" agência havia sofrido um assalto, mas que, sem maiores problemas, os assaltantes haviam batido em retirada, com o dinheiro dos caixas e que apenas o Rolex do Américo Augusto, meu substituto, havia sido surrupiado. Fiquei intrigado e pedi que o colocassem na "linha", e aí me foi explicado o tragicômico acontecimento.
No momento em que os assaltantes adentraram a agência, o Américo Augusto, assustado, tirou seu valioso relógio do pulso e o atirou em um cesto de lixo, mas como o volume da notas de dinheiro era muito grande, um dos gatunos pegou o cesto de lixo para colocar o que não mais cabia em suas mãos, bolsos e camisa. E assim foi o belo Rolex do meu colega Américo, carregado no cesto.
O banco nunca reembolsou seu relógio, eu fui para outro departamento, e à agência Ana Rosa da Vila Mariana nunca mais voltei.
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