Ristorante Chiappetta

Meu marido propôs jantarmos no Gaiato, restaurante na Avenida Gal. Olimpio da Silveira, onde não íamos há mais de trinta anos. Tomei emprestada a lanterna mágica do Saidenberg e fui transportada para a Praça Mal. Deodoro e ouvi, além dos cantos dos pássaros e o zunido das abelhas, nossa algazarra estudantil, inconseqüente e feliz.<br><br>Distingui as vozes das irmãs Montserrat e Valentina Gaspar Diez, com leve sotaque catalão (nasceram em Barcelona), da Sonia Angelica Rosa, da Maria Lúcia Salles, da Roselis, da Regina Sbrig, da Regina Martha Pasternak e a minha própria.<br><br>Ao lado de nossa alegria sentíamos o perfume das rosas. Pude saber onde era o Bar do Quincas, freqüentado pelo Dr. Expedito (frente ao cartório de Paz onde me casei, lá se vão 41 anos) na Avenida Angélica. Lembrei-me dos doces gelados da Domenique, onde, algumas vezes, encontrávamos o radialista de novelas Enio Ferreira.<br><br>Voltando ao momento, o Gaiato não existia mais; o Bacalhau do Porto, na Rua Barra Funda, não localizamos; o descampado do circo Piolim deu lugar à Cia. Telefônica; o Hospital Santa Cecília, enorme, parecia um prédio canadense. Os locais conhecidos desapareceram, com exceção do Star City, mas também estava fechado.<br><br>Foi então que, descendo a Martim Francisco, deslumbrantemente iluminada, descobrimos o magnífico Ristorante Chiappetta (será do Ricardo?), que, para nosso infortúnio, não estava funcionando.<br><br>Meu marido me fez uma pergunta que eu não soube responder: “Na noite das eleições ninguém janta em São Paulo?”.<br><br>Já em casa, esfomeados, fiz ervilhas na manteiga estourando alguns ovos em cima, verdadeiro manjar dos deuses.<br><br>e-mail do autor: [email protected]