A Casa Bandeirista, ícone cultural, arquitetônico e arqueológico do Itaim Bibi, situada em amplo espaço no início da atual Rua Iguatemi (nº. 50), da região anteriormente chamada de Itai (pedra pequena), finalmente esta sendo reconstruída.
No seu enorme terreno, de estratégica e pequena elevação, se estabeleceram os índios do cacique Cayubi quando da instalação do Sítio dos Pinheiros pelos jesuítas em 1560, servindo de posto de observação e defesa aos ataques dos possíveis inimigos vindos pelo Rio Pinheiros ou por terra. Por alguns séculos (XVI, XVII e XVIII) serviu de parada e para descanso dos viajantes, tropeiros e até dos Bandeirantes, estes últimos quando se dirigiam ao interior de São Paulo e ao sul do Brasil. Os bandeirantes Fernão Dias Paes e o Borba Gato ali pernoitaram por inúmeras vezes. O Caçador de Esmeraldas (Fernão Dias Paes) foi donatário incluindo as terras do Sítio de Santo Amaro até a divisa com o Sítio dos Pinheiros.
No decorrer dos séculos, o casarão de taipa de pilão sofreu inúmeras ampliações ao passar pelas mãos de vários proprietários até toda a região da Chácara do Itai ser adquirida, já no final do século XIX pelo General Brigadeiro José Vieira Couto de Magalhães.
Serviu de moradia, – Casa Grande – à família Couto de Magalhães, de 1907 até a década de 20, quando foi transformada em um sanatório, – Sanatório Bela Vista. No final da década de 50, todo o terreno, incluindo o casarão, foi adquirido pelo Laboratório Ache e, mais tarde, já no final da década de 70, comprado pela Comercial Bela Vista. Desde então, o histórico casarão, exemplo da arquitetura bandeirista, começou a ser paulatinamente destruído.
Em 1981/2, o terreno e o casarão sofreram tombamento pelo CONDEPHAAT e pelo COMPRESP, o que não impediu a sua contínua depredação e abandono. Centenas de espécies arbóreas, frutíferas e ornamentais foram arrancadas, perdendo-se valiosos exemplares da Mata Atlântica e exóticos, sem contar o material arqueológico urbano transformado em entulho.
Finalmente, após árduo trabalho da comunidade itahyense, desenvolvido desde 1977 pela Associação dos Amigos do Itaim Bibi, depois continuado pela Sociedade Amigos do Itaim Bibi e atualmente pela Associação Grupo Memórias do Itaim Bibi e seus colaboradores, os atuais proprietários, respeitando o valor histórico da área e da própria construção, iniciam o seu restauro, seguindo o que se determinou nos julgamentos judiciais baseados em estudos arqueológicos, projetos de recuperação e reconstrução arquitetônica, procurando manter, restaurar e assemelhar-se com os materiais ainda existentes na área do terreno, na própria Casa Bandeirista e nos acervos, através das peças recolhidas e catalogadas pelos profissionais da Arqueologia da USP etc.
O prazo para a entrega desse espaço cultural itahyense e paulistano de 700m2 é de doze meses a partir do início dos trabalhos, segundo consta nos processos do MP e julgados pelo TJ.
Obs.: A Associação Grupo Memórias do Itaim Bibi acompanha todo o processo e mantém em seu acervo documentos e material iconográfico, incluindo os mais recentes.
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