Bom, já faz muito tempo que não vou à Praça da Sé, nem sei como lá está, mas uma coisa é certa: deve esta linda como sempre foi.
Hoje não moro mais em São Paulo; a vida me empurrou pra bem longe, estou em Cuiabá, Mato Grosso. Quem sou eu? Hoje sou Osvaldo, um papai de família, caseiro e comum, com muitas contas pra pagar e muito pouco pra receber. Naquele tempo era um menino brincalhão e bagunceiro, que todos chamavam de “Ratinho”, porque era bem branquinho e não parava quieto de jeito nenhum, mas isso não vem ao caso.
Fiz essa encheção de lingüiça só pra prender sua atenção – se é que consegui, né! Porque você tem tanta coisa pra fazer que não pode perder tanto tempo aqui; mas vamos pra praça!
Morávamos na periferia de São Paulo, no bairro de Campo Limpo; sempre nessa redondeza, mudando mais do que cigano. Meus pais eram pessoas muito simples, pois sempre foram lavradores do nordeste para o interior de São Paulo.
Bom, mas agora, na capital! (Já tá melhorando!)
Trabalho tinha muito, mas era pouco. Minha mãe sempre procurava um jeito pra nos divertir, nos levando aos parques e praças quando podia. Certa vez me levou na Praça da Sé. Já faz tempo, uns 25 anos atrás, mas me lembro bem. Tinha um enorme monumento como uma estrela ou arte, que ficava rodando, bem próximo à igreja da matriz.
Sem muita malícia e com muita vontade de brincar (e com as mãos cheias de doces), fui lá brincar, lá no monumento, que rodava quando empurrávamos. Quanta sabedoria de criança! Rodei a estrela e fiquei parado; ela deu uma volta e bateu com tanta força na minha cabeça que até hoje eu tenho um marca da Praça da Sé, por dentro e por fora da cabeça!
Que bom, fiquei com um dia na Praça da Sé. Dá até uma música.
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