Minha mãe nasceu na Alemanha. Meu pai é nascido em São Paulo, capital, e era um perfeito alemão, dado que sua mãe, minha avó paterna, também era filha de alemães, vindos todos ao Brasil como imigrantes, em meados e final dos anos 1850/1900.
Como não podia deixar de ser, os amigos de nossa família, em sua grande maioria, também eram descendentes de alemães, todos radicados em São Paulo e, via de regra, na zona sul de São Paulo (Indianópolis, Campo Belo, Brooklin e Santo Amaro).
Havia uma família dessas que era descendente de alemães e de origem gaúcha, mas que, diferentemente dos outros alemães da época (anos 40/50/60), morava em Penha de França. Mais curiosamente ainda, o chefe da família, Sr. Oscar Doern, era um fanático torcedor da Portuguesa de Desportos.
Pois bem, em certa feita, a Portuguesa comprou um jogador que havia vindo do Rio Grande do Sul – cujo time ao qual pertencia já nem me recordo mais, afinal, tinha eu dez ou doze anos de idade -, e teve sua estréia marcada no time da "briosa" para um dia de semana e à noite.
Em um desses domingos em que íamos a Penha churrasquear (afinal, os churrascos lá eram deliciosos), ficou acertado que eu ficaria na Penha e finalmente poderia ir a um campo de futebol e ver uma partida ao vivo, com nossos amigos gaúchos.
Chegou a noite do jogo e fomos todos à "Ilha da Madeira", que era feita de madeira mesmo, assistir ao jogo em que ia acontecer a estréia de Raul Klein, um ágil ponteiro, lutador e aguerrido e no que pese sua baixa estatura; era na época ídolo dos gaúchos. Nos acomodamos nas gerais, onde se vendia de tudo: sorvetes, refrigerantes, cerveja em garrafas de vidro etc., etc.
Além daquele fantástico espetáculo noturno, com estacionamento desorganizado, piso ainda de terra em volta do estádio e muita poeira no ar, o que mais me impressionou em verdade, naquela noite de casa cheia no campo da Portuguesa, foram uns marmanjos. Lá de cima das gerais, talvez por preguiça de saírem de seus lugares, ou medo de perderem o melhor lugar no segundo tempo, faziam xixi em direção ao estacionamento, sem se importarem com quem estava lá embaixo.
O mais curioso é que quem estava no chão, comendo ou bebendo algo nas barracas improvisadas, pouco se importavam com o fato, e na hora de voltarmos para o segundo tempo, bastou uma pequena corridinha pelo portão central e, sem problemas, fomos assistir ao segundo tempo.
Se querem saber, o resultado da partida nem lembro mais, mas aquela turma lá de cima, fazendo tudo aquilo sem maiores cerimônias, realmente me deixou impressionado. Jamais esqueci.
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