As garotas e a bola de neve

Lembro-me que, quando criança, morávamos no Brooklin.

A nossa turma era muito unida. Sempre alguém da turminha conquistava uma garota de outros bairros próximos, como Pinheiros, Moema, Itaim, Vila Nova, etc., só que, para não ir sozinho (pois naquela época, a gente tinha vergonha de ficar só), o garoto pedia para a menina arrumar uma coleginha, pois dizia ter um amigo muito legal e bacana que gostaria de conhecer alguém.

Não demorava muito e lá já estava um da turma com uma menina, que, por sua vez, trazia mais uma, e a bola de neve ia crescendo.

Alguns namoricos duravam mais, outros menos. Com o passar do tempo, a bola de neve ia se desfazendo, até cantarmos em outra freguesia.

Apesar de sermos crianças na época, 14/l5 anos, as lembranças das meninas (Sueli, Leda, Nilza, Cidinha) ainda nos trazem boas recordações e saudade, tempos bons que não voltam mais.

Nem todos os sonhos da nossa infância se tornaram realidade, apenas ilusão, não sei. É uma pena. Mas faz parte da vida.

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