Se prestarmos atenção, todos declaram seu amor à cidade de São Paulo. Para tanto, não precisa ser paulistano. Aliás, quem mais declara seu amor à cidade de São Paulo são aqueles que vêm de fora.<br><br>Mas se observarmos com a devida atenção, não praticamos a civilidade como se deveria. Dizer apenas que se ama a cidade não é um ato de civismo. É apenas uma declaração de amor à cidade. Parece que não temos ainda a cultura de movimentação, para dar algo que mantenha ou embeleze a cidade como um todo. Em termos de movimentação, somente vemos grupos de pessoas reivindicando isso ou aquilo, e sempre judiando da cidade e prejudicando seus moradores.<br><br>Vejam o caos que fica a Avenida Paulista quando de uma passeata qualquer. O trânsito fica parado; os hospitais em seu entorno, sem poder receber pacientes que porventura necessitem de uma urgência. Mas disso, além de uma falta de cultura, pode-se dizer também uma falta de educação. Uma educação que parou anos atrás. Dando lugar ao egoísmo e individualidade das pessoas.<br><br>Mas os movimentos de que necessitamos mesmo são os de mobilizar a sociedade na formação de associações de bairros, cada qual brigando pelo espaço maior de grandeza e melhoria dessa cidade bastante judiada. Aí não seria egoísmo, mesmo porque a luta não seria para um ou outro ser, e sim para toda a coletividade. Cuidar das ruas, das calçadas, das árvores, dos cestos de lixo para que não se quebrem – e, se inteiros ficarem, que o semelhante coloque um resíduo qualquer em seu interior. Que as mulheres ou até mesmo homens não tenham preguiça de varrer as folhas das árvores de suas calçadas. Mandar cortar uma árvore por esse motivo é cortar um pedaço do pulmão verde que nos abriga não só do sol, como da poluição.<br><br>O Itaim Bibi, meu bairro de coração, tem sua associação, presidida pelo senhor Marco Antonio Castelo Branco. Tem também seu memorial, presidido pelo professor Helcias Bernardo de Pádua. Ambos lutam pela melhoria desse pedaço, como se fosse o pedaço de seus corações. <br><br>Lutamos bastante para termos o Parque do Povo, que realmente era do povo e, por alguns anos, graças às gracinhas de políticos sem vergonhas, aquele pedaço que tanto vivi praticando meu esporte preferido (futebol) foi loteado a apadrinhados, e virou local de especulação. Bares cobrando alto. Estacionamento, que sempre era gratuito, passou a ser cobrado. Um circo escola de mentira, que alugava para festas de todo tipo, acabava com o sossego dos moradores, com som alto até de madrugada.<br><br>O memorial sempre esteve nessa luta, que foi encampada espontaneamente pela rádio Bandeirantes, por meio do setor de jornalismo, e que teve como voz maçante o jornalista José Paulo de Andrade, a quem dividimos a grande vitória de uma luta de muitos anos. <br><br>Lá foram plantados, em 1954, dezenas de pés de eucaliptos por parte de pessoas do bairro da Bela Vista (clube Itororó), chegando a mais de trinta metros de altura. Mas, nos anos 1990, foram todos derrubados pela ganância de quem ali precisava de mais espaço para ganhar dinheiro. Além da beleza do quadrilátero arborizado, era o orgulho dos que ainda vivos tinham na lembrança aquele domingo, em que uma coletividade esportiva se juntava com cavadeiras, adubos e mudas de menos de cinqüenta centímetros, que demarcava toda a margem do campo, um metro e meio de distância a dentro dos pés de eucaliptos. No verão, a sombra era o ganho de uma investida gloriosa.<br> <br>Seu bairro também tem uma associação? Em outros bairros, há voluntários que lutam com denodo, como nós do Itaim temos? Em caso da formação de uma associação, clube ou uma entidade com qualquer denominação, sempre haverá voluntários, que espontaneamente surgirão. Basta apenar começar.<br><br>Mas é preciso prestar atenção para não deixar político tomar conta, senão vira comitê político. Uma associação bem dirigida é o meio de reivindicar das autoridades, e também buscar nas empresas privadas, recursos para ajudar a melhoria de nossos bairros. Com isso, ajudando os poderes públicos a melhorar nossa cidade.<br><br>Um exemplo de como manter um local bonito e agradável, e de atos de civilidade, vem do bairro do Ipiranga. Local de onde veio o grito que deixou o Brasil livre da tirania portuguesa. Os ipiranguistas sabem o que têm. Sabem cultuar seu monumento, para que não fique apenas um cartão postal. O monumento é uma realidade. Uma realidade linda. Não só o que ele possui internamente, mas o parque da independência, que é conservado com carinho. Seu jardim é verde, florido. Sua grama sempre aparada. Isso graças ao Movimento Cívico em Defesa do Monumento do Ipiranga e do Parque da Independência.<br><br>Há anos atrás, o povo do bairro fazia uma “vaquinha” para comprar a bandeira que custava R$ 900,00. Esse movimento de arrecadação ficou tão famoso que, no bairro, houve até fila de doadores. Todos evocando seu amor pelo bairro. A bandeira subia num mastro comum de 27 metros de altura, em que a bandeira era levada ao ar por um cabo de aço, e era trocada de três em três meses, com a presença de várias autoridades.<br><br>Hoje o mastro não é mais aquele, o cabo de aço não mais existe. Graças ao movimento comunitário, a bandeira agora vai com a moderna tecnologia. Seu novo mastro foi doado pela C. P. F. L. (Companhia Paulista de Força e Luz) e tem três metros a mais. A bandeira é erguida por força de controle remoto, e a iluminação vai do jeito que o vento der um destino à bandeira. Quer dizer: aonde a bandeira vai, a luz vai atrás. A importância disso é: As pessoas participam olhando para a bandeira, não mais para a pessoa que a ergue. O importante é manter o civismo.<br><br>O Ipiranga e seu parque maravilhoso fazem parte de uma das maravilhas que a cidade de São Paulo exibe.<br><br>Fonte de informação: Movimento Cívico, Jornal O Estado de São Paulo<br><br>e-mail do autor: [email protected]