Vila Nossa Senhora das Mercês, antigo bairro cuja denominação foi Vila dos Quarenta. Como todos os bairros da periferia da capital de São Paulo, não tinha infra-estrutura, como rede de água e também rede de esgoto.
Muitas residências usavam os tradicionais "cata-ventos", que movimentavam as bombas para captação de água para consumo humano. Aliás, sabia-se que tais casas tinham os cata-ventos em razão de ter um galinho em cima do telhado; de acordo com a rota do vento, o dispositivo mudava de posição.
Este bairro, acima referido, e adjacências, tinha pontos altos. Muitas cisternas chegavam a ter 40 metros de fundura para conseguir o precioso líquido. Bombas de várias marcas eram adquiridas pelos proprietários, tais como Rimer, Paulo e Yara,
As bombas Yara eram fabricadas na Avenida Padre Arlindo Viera, bem próximo do 26.º Distrito Policial – Sacomã.
Uma das vantagens de se usar as bombas Yara era que estas usavam rolamentos, e não buchas de metais. Digo isso em razão de que o meu pai, Benedicto Osório de Oliveira, e nós, filhos, Tangerynus, Rubens, Ademir e Antonio, trabalhamos neste serviço de instalar bombas de água.
O trabalho dos poceiros na construção de cisternas pelos bairros era uma constante tarefa, em que muitos deles perderam a vida. Após perfurarem alguns metros abaixo, encontravam camadas de gás metano (decomposição orgânica) e, se não saíssem em tempo, era morte certa. Outros mais experientes, quando percebiam o gás, ateavam fogo em papel e jogavam cisterna abaixo; com isso eliminavam o gás.
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