Caminhos Longos

Esta história passa-se no começo da década de 70 eu tinha de 12 para 14 anos. Fui com dois primos ao centro da cidade, mais precisamente na Praça da Sé. Saímos do bairro de Vila Brasilina, na região sudoeste de São Paulo, pegamos o ônibus da Viação Bristol e, felizes da vida, fomos para o centro, com o dinheiro contadinho para volta, sem direito a comer, beber ou comprar nada.

Com a beleza da cidade, aliada à fome que bateu em nós na região da Sé, resolvemos, juntos, gastar o dinheiro da volta em pastéis e caldo de cana. A fome era tanta que esquecemos da volta. Pensamos: “E agora, como vamos fazer para voltar a nossa residência?”. Combinamos que iríamos a pé.

O metrô estava começando a ser construído; portanto, em linha reta, era impossível chegar ao nosso destino, mesmo porque não sabíamos outro caminho. Resolvemos, então, fazer o caminho que os ônibus faziam. E lá fomos nós.

Praça da Sé, Praça João Mendes, Liberdade, Vergueiro, Paraíso, Vila Mariana, Santa Cruz, Praça da Arvore, Avenida Bosque da Saúde, Avenida do Cursino, Dom Vilares, Rua Evolução e Dr. Odilon. Este trajeto, feito em condições normais, não deve ter mais do que 20 km. – mas não foi o que fizemos. Como não podíamos passar pelos canteiros de obra, fomos serpenteando toda a caminhada.

Um exemplo para vocês imaginarem qual foi o percurso: ao invés de seguirmos pela Domingos de Moraes, saíamos dela e nos dirigiamos em direção à Rua Cubatão, para sair lá na região do Largo Ana Rosa. Sempre procurando seguir o caminho dos ônibus, quando os mesmos passavam pela gente.

Só sei que esta viagem durou quase o dia inteiro; só chegamos na Vila Brasilina por volta das 18h30.

Foi uma experiência marcante, e mesmo tendo hoje 50 anos, nunca me esqueci desta fase em minha vida.

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