É com muita emoção que escrevo sobre dois bairros que passaram pela minha vida: São Judas Tadeu e Vila Guarani (vizinho ao Jabaquara). Vivi parte da minha infância na Rua Arapuá de 1958 a 1962, numa casa que até hoje ainda existe e ficava próxima à antiga fábrica de vidros da Rua Prof. Sousa Barros, e atualmente é o hipermercado Wall Mart.
Estudei no colégio estadual Almirante Barroso, fiz admissão ao ginásio na Paróquia São Judas Tadeu (em 1965) e, depois, estudei no Ginásio Jabaquara até 1969. Às vezes comprava pão na padaria Santa Marina, mas antes passava em frente à casa mal assombrada da Avenida Diederichsen só para ver a fachada tenebrosa, com janelas que batiam ao vento; e, em outras ocasiões, ia com minha mãe pegar o bonde, a partir da igreja de São Judas Tadeu até descer na Praça da Árvore. Lembro de grandes carroças da Prefeitura que faziam a coleta de lixo estacionados em um trecho desta região onde hoje é o metrô Praça da Árvore.
A Rua Arapuá era de terra e, diariamente, eu brincava num terreno que ficava ao lado da mesma rua; jogava bola ou fazia fogueira já à tardinha, para assar batata com os amigos. Uma vez fritamos uma rã, pega por um dos meus irmãos num brejo, que ficava na Praça Whitaker Penteado, ao lado do referido “Parque Infantil”, e que também ficava vizinha a um campo de várzea que, se não me engano, se chamava "Flor Indiana".
Uma tarde de 1958, sentado no pequeno morro ao lado da Rua Arapuá, no mesmo terreno onde fritava as batatas de tardinha (existia também um grande pinheiro, que podia ser visto de longe e já ficava mais próximo à fábrica de roupas AB e também à fábrica de vidros, ambos na Rua Professor Sousa Barros), avistei um grande balão com quatro faces da bandeira brasileira. Era a comemoração da conquista da Copa do Mundo de Futebol de 1958, e eu tinha cinco anos. O balão estava subindo, partindo de um local próximo à padaria Santa Marina, da Rua Diederichsen. Jamais esqueço!
De 1962 até 1983, quando casei, moramos na Praça Whitaker Penteado, na Vila Guarani, onde existia um lago em frente a casa, ao lado do "Parque Infantil", atual Escola Municipal Infantil. Este lago já não existe desde que fizeram a passagem da Avenida dos Bandeirantes para ligar com a Imigrantes. Fizeram também o viaduto que liga o metrô São Judas ao metrô Conceição. Eu brincava neste lago, catava os peixinhos, que chamávamos de "guarú"; pescava com uma meia de mulher para servir de "rede"; meus irmãos maiores colecionavam canários no porão da casa e uma vez, de tarde, conseguiram pegar um bico de láquia (pássaro pequeno de bico vermelho). Estes pássaros voavam todas as tardes por cima do lago, juntamente com os azulões e patos selvagens. Realmente, havia muita vida selvagem no entorno do lago. Tudo faz mais de 40 anos!
Hoje moro no Ipiranga, com 55 anos de idade, e, sempre que posso, passo em frente à casa dos meus pais na Praça Whitaker Penteado e também na Rua Arapuá, só para matar a saudade. Lembro também que minha mãe ia à feira da Avenida do Café e comprava pastéis e kibe super gostosos. Que saudades! Agradeço a Deus por me colocar em lugares tão maravilhosos e por proporcionar uma linda infância.
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