O saudoso Água Rasa

Durante o período em que estive em São Paulo, de 67 a 69, trinta dias foram ocupados num bairro da periferia, para cumprir e firmar o contrato de trabalho em uma encadernadora de nome Brás Cubas, que se localizava no Bairro da Água Rasa (o nome indica o rio Tatuapé, de pouca profundidade). Esta história foi uma das que a produção escolheu para publicar no livro São Paulo Minha Cidade.com.

Hoje não tenho mais idéia de como ele está, esse saudoso bairro, e buscando informações no site, em Bairros, li alguma coisa relacionada com aquele pedaço da cidade que me conquistou outrora. Vejam vocês: na história do citado distrito, surge o nome do Regente Padre Antonio Maria Feijó, em que lá é citado como um dos proprietários de terras da redondeza, dono um sítio de nome Capão Grande e que, depois, foi rebatizado por ele mesmo de Chácara Paraíso. Ilustre religioso este, que foi por mim mencionado numa outra história chamada “Três Paulistas Ilustres”, também já publicada.

São simples coincidências. Porém, os trinta dias que marcaram a minha forma de ver aquele bairro são as lembranças bem profundas de quando ainda, na madrugada escura, sentava-me no coletivo vazio da linha "Água Rasa" e me dirigia à empresa, ainda sonolento, antes que a sirene tocasse às 7 horas da manhã.

Conto isso não como forma de queixa, absolutamente, mas de reconhecimento de o quanto lá estive. Sei que não é muito especial, mas eu estava lá, como um dos empregados daquela empresa industrial, encarregada da encadernação de livros, coleções, publicações, enciclopédias, sendo o volume de carga enorme.

Lembro também de nosso ônibus da CMTC – Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo, e de sua saída e retorno que se davam no Parque Dom Pedro II; ônibus este de cor azul e branco, um “latão”, como se diz na gíria, novinho em folha, que nos levava junto com outros passageiros sempre calados por aquelas bandas do Tatuapé, Belém, Vila Formosa, Mooca.

Repito: não são grandiosas recordações, mas se trata sim de um registro do bairro que me acolheu e que por lá passei exatos trinta dias, trabalhando com carteira assinada e tudo o mais.

Ficaria contente de ver o texto publicado, num reconhecimento por ter conhecido essas paragens que me são inesquecíveis, e que gostaria de manter ainda guardadas em minha memória como uma boa recordação.
Abraços.

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