Ousadia de uma menina

Quando terminei minha 4ª série, em 1954 no Grupo Escola Aristides de Castro, no Itaim, tive a melhor professora do mundo: Dona Julia Brandão, que me ensinou que o "Mundo tinha portas abertas". Saí em busca disso.
Filha de mãe italiana, calabreza, enérgica… Convenci Dona Annunciata que "EU" deveria trabalhar e mostrei no jornal que um SUPERMERCADO PEG PAG na Bento Freitas estava selecionando adolescentes para fazer pacotes. Chegando lá não quiseram me aceitar por ser "Menina". Fiquei uma fera. Argumentei, esperneei, fiz bicão e nada… Aí eu disse para Dona Elza a chefe que estava selecionando: “A senhora não é mulher? Então porque não posso?”. Ela parou, riu com um sorriso doce – ela era linda, usava um batom vermelho, cabelos pretos, saia justa linda: “Está bem vamos experimentar. Mas veja bem Darcy o Sr. Raul é quem vai decidir está bem?”. Concordei. E não é que o Sr. Raul gostou de mim! Sempre me solicitava à acompanhar sua amigas "Chiques" até o carro e as caixinhas eram gordas.
Depois fui para Loja 2, no Itaim (Joaquim Floriano) onde fiquei por dois anos.
Nunca mais parei de trabalhar e estudar.
Estudo e trabalho até hoje.
Dona Elza onde a senhora estiver receba o meu beijo carinhoso. Seu rosto ainda está na minha mente.

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