Patrimônio Cultural e Gastronômico

Tudo começou há algumas semanas. Eu estava na cozinha de casa preparando o café da manhã e ouvia as notícias no rádio. De repente o âncora anunciou uma entrevista com o presidente da associação de comerciantes do Mercado Municipal Paulistano, nosso querido Mercadão. Fiquei ouvindo sem muito interesse, mas minha atenção foi despertada quando ele disse que estavam sendo organizadas visitas monitoradas para quem quisesse saber um pouco da história do Mercado. Aí fiquei totalmente ligado. A entrevista, que durou uns cinco minutos, foi suficiente para me entusiasmar a conhecer um dos pontos mais tradicionais de São Paulo.

Confesso minha quase total ignorância com relação ao local. Embora seja paulistano da gema, pois nasci no Pérola Byington, ali na Brigadeiro Luiz Antônio, entrei no Mercadão apenas uma vez, e ainda assim fiquei menos de cinco minutos.

Sua arquitetura é monumental. Obra de Ramos de Azevedo, foi projetado em 1928, e durante a Revolução Constitucionalista de 1932 foi usado como galpão de munições para as tropas paulistas. Seus vitrais serviam de alvo para os soldados aperfeiçoarem a pontaria, sendo que só no ano seguinte, 1933, iniciou as atividades como mercado.

Após o término da entrevista, mais do que depressa anotei o telefone para agendamento, pois pensava nas inúmeras possibilidades: conhecer aquele local incrível, degustar algumas delícias expostas e, é claro, escrever uma boa história. A visita ficou para dali a duas semanas e iríamos em cinco pessoas: eu, minha esposa Marisa, minha filha Letícia, a cunhada Yara e a sobrinha Júlia. Deveríamos chegar por volta das 9 da manhã com duração do passeio em uma hora e meia.

No dia da visita levantei às 6h da manhã, tamanha era a minha empolgação. Chegando lá tivemos alguns probleminhas para encontrar o local determinado, pois o Mercadão é gigantesco, mas nada que diminuísse meu entusiasmo. Fomos recebidos por três monitoras muito simpáticas, duas estudantes de turismo e uma de nutrição. Elas nos presentearam com revistas que falam sobre gastronomia e vinhos, além de um livreto com receitas e muitas propagandas de restaurantes, vinícolas, feiras e adegas.

Logo após fizeram uma apresentação do que seria nosso passeio e, em seguida, foi exibido um vídeo falando do Mercadão.

Os números que envolvem o local são impressionantes. Numa área de 12.000 metros quadrados estão dispostos 312 boxes, são 1.600 funcionários e o número de visitantes varia de 11.000 a 25.000 pessoas por dia. Nos feriados este número passa dos 50.000. Como são muitos boxes, foram selecionados apenas quinze, mas que estariam entre os mais representativos do Mercadão.

Começamos por uma bela banca de frutas, que de tão coloridas e apetitosas pareciam compor um quadro de Caravaggio. Me chamou a atenção uma espécie de manga cujo valor unitário passa dos R$ 40,00.

As monitoras iam explicando com riqueza de detalhes enquanto tirávamos fotos com nossas máquinas digitais.

Nossa viagem gastronômica seguiu e tivemos o privilégio de conhecer boxes tradicionais do Mercadão. O Geração Saúde tem várias espécies de pimenta, destaque para uma chamada Pimenta de Bico, que praticamente não arde na boca, e a geléia de pimenta.

Outro boxe interessante é a Peixaria do Renato Rabelo, onde ficamos cara a cara com uma garoupa, um salmão e um namorado, todos enormes.

Outro boxe sensacional é o Empório Chiappetta, no qual o dono, Leonardo Chiappetta, nos deu uma aula de como compor uma bela mesa utilizando frutas secas.

Não poderia deixar de falar da Barraca do Juca, que ficou famosa por servir de locação para a novela A Próxima Vítima, cujo protagonista foi interpretado pelo ator Tony Ramos.

O Frango Feliz é voltado às carnes exóticas. Nos foram apresentados o fígado de pato, o filé de javali e a carne de capivara. Não sei se comeria a carne do roedor, mas tem quem goste.

Por fim, uma paradinha no boxe dos Queijos Roni, que já está no Mercadão há mais de cinquenta anos. Passando de pai para filho, o Queijos Roni se caracteriza pela fabricação própria de produtos. Fomos recebidos pelo atual comandante do estabelecimento. Muito simpático, ele nos explicou como os queijos são feitos de forma artesanal, o qual tivemos o privilégio de degustar.

Foi um passeio literalmente delicioso, além de poder descobrir um pouco mais deste patrimônio que é o Mercado Municipal Paulistano.

Quem quiser mais informações sobre as visitas monitoradas é só ligar no 3316-1449 – ramal 18.

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