O Tamanco Voador

Quando meninos, aqui em São Paulo, em épocas festivas, às vezes, reuníamos na casa de nossos tios que moravam no Ipiranga.

Era uma casa ampla, e tinha uma varanda enorme com uma mesa comprida que comportava quase toda a "familhada". Após o jantar, nós, os garotos mais velhos e os adultos, ficávamos jogando damas, dominó, baralho, ou simplesmente conversando. A algazarra era geral, com falatório alto e risadas…

Nosso primo caçula, Celsinho por ser o mais novo era sempre deixado de fora, e por não o deixarmos participar ficava dormindo em uma poltrona ao lado.

No meio do alvoroço, já à noite, alguém dá um grito bem alto de satisfação por ter ganho uma partida de algo que disputava. Eis que abre a janela do quarto de nossa Avó, que estava dormindo, fula da vida, e com um tamanco na mão gritou:

_ CELSO CALA ESSA BOCA E PARE DE GRITAR, NÃO VÊ QUE SUA VÓ ESTÁ DORMINDO SEU MOLEQUE!

Celsinho acordou assustado e deu um pulo a tempo de se desviar do tamanco que veio em sua direção. A risada foi geral, e o pobre inocente primo caçula bradando: O QUE EU FIZ? – O QUE EU FIZ?

Hoje, muitos anos depois, ele continua não sabendo o que fez e nossa Avó, que em paz descansa, nunca o perdoou…

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