Foi nesse bairro que eu passei grande parte da minha infância. Morava na Rua Cônego Eugênio Leite, 1065, e a casa ainda está lá até hoje. Estou falando da década de 1940, quando São Paulo era uma cidade totalmente diferente.
Durante a Segunda Guerra Mundial, havia exercícios para prevenir bombardeios em São Paulo e eram chamados "blackout". Todas as luzes da cidade eram apagadas numa determinada hora da noite e aviões cruzavam os céus simulando um ataque aéreo.
Para nós, garotos, era uma farra, pois saíamos para a rua e éramos repreendidos pelos guardas da defesa passiva que usavam uma tarja branca no braço.
Quanta recordação da Casa Maia, da floricultura do seu Alexandre, da Casa Del Debbio, da Casa Prati e de muitas outras que o tempo não traz mais.
Pela manhã, como havia racionamento de trigo, nós íamos para a fila do pão na padaria da Rua João Moura. O pão era pesado e escuro e só dois por pessoa. Depois da fila do pão, íamos para a escola onde estudamos, "Externato Pedro Voss", na Rua Capote Valente. Nem sei se ainda existe!
Grupo Escolar só havia o "Godofredo Furtado", na Rua João Moura, e cinema o Cine Pinheiros, onde não perdíamos as matinês do domingo para assistir a continuação do seriado do Flash Gordon.
As nossas brincadeiras preferidas eram descer de carrinho de rolimã pela Rua Oscar Freire, entrar pela Avenida Rebouças e só parar lá pela Rua Pinheiros, isto quando não ficávamos todo esfolado pelo meio do caminho. Também adorávamos pegar a rabeira dos carroções de lixo tocados a burros, que subiam a Rua Cardeal Arcoverde em direção ao local de queimar o lixo. As brincadeiras dentro do Cemitério São Paulo são inesquecíveis: à noite, assustar pessoas distraídas; pegar balão na época de São João, etc.
Como é bom recordar! Como é bom escrever as experiências do passado! Obrigado pela oportunidade de escrever umas poucas linhas sobre o meu passado e sobre o passado do bairro que tanta recordação me traz.