Morumbi e Pai de Santo

Agosto de 1975, o São Paulo F.C. iria decidia o campeonato paulista, com Portuguesa de Desportos. Na sexta feira que antecedia ao jogo fui para casa de uma tia que morava na Avenida Angélica, para jogarmos o costumeiro baralhinho entre parentes, na época ainda era solteiro. Mas neste dia havia qualquer coisa estranha entre minha tia e minhas primas, ou seja, segredinhos no ar. Até que resolveram me contar que iam a um pai de santo que morava lá pelos lados de Interlagos, e acabaram pedindo para que eu as levasse. Segundo elas o homem era coisa séria, uma “sumidade”, adivinhava tudo e previa o futuro com exatidão, coisa que não acredito, mas, enfim, acabei acompanhado. Depois que todas fizeram suas consultas queriam que eu fizesse também, mas eu insistia com minha tia que eu não queria, pois eu era cético em relação a estas coisas. Insistiram tanto que acabei entrando na delas, fui eu para a tal consulta. Primeiro fiquei no meio de uma roda de pólvora, depois de queimada a pólvora, entrei para enfrentar o sabe tudo. O homem queria adivinhar, o que eu fazia, que tipo de problemas eu tinha, falei que estava ali para só acompanhar minhas parentes, e não tinha nenhum tipo de problema, pelo contrário, tudo corria as mil maravilhas para meu lado. Daí com a maior cara de pau o sabichão disse: “estou vendo sentindo mesmo que esta com a vida mansa”, e não quis mais continuar o papo furado. Mas para encerrar ele disse que eu era protegido por três índias: Jaciara, Jandira e Jacira, e elas estariam sempre a meu lado me dando proteção, agradeci e cai fora da sala. Despedimos-nos do pessoal e fomos embora. Na volta dentro do carro aquela conversa fiada entre elas sobre os acertos e erros do homem, mas para elas ele tinha mais acertado do que errado em suas previsões, e estavam todas contentes com a capacidade do tal pai de santo. E, ainda segundo elas, os problemas iriam se resolver, era só comprar as coisas que ele havia mandado. Quando chegamos à casa de minha tia, e como já era tarde, fui embora sem jogar o nosso baralhinho.
Mas no domingo lá estava eu no Morumbi para ver São Paulo e Portuguesa decidindo o campeonato paulista daquele ano. No primeiro jogo o São Paulo havia ganho por 1 x 0. No segundo a Portuguesa ganhou por 1 x 0, e nesse jogo Murici foi expulso logo no primeiro tempo. O jogo foi para a prorrogação e o São Paulo com 10, iam ser 30 minutos de sofrimento. Pedir ajuda a Deus não podia, Deus não iria ser injusto, ajudar o São Paulo e prejudicar a Portuguesa. Foi quando lembrei-me da história do pai de santo, que na sexta feira falou-me das três índias que me protegiam, a Jandira a Jaciara e a Jacira. Então fui num canto me abaixei e pedi ajuda a elas, e voltei para ver o jogo. A prorrogação terminou 0x0, o jogo foi para os pênaltis. Pedro Rocha bateu o primeiro e marcou. Na seqüência Dica bateu Waldir Peres defendeu, Wilsinho bateu fora, Tata bateu e Waldir Peres defendeu, a Portuguesa perdeu três pênaltis e fomos campeões. Será que foi ajuda das índias? Eu preferi não acreditar. E todo caso!!!!!!!

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