Lá pelos costados do Parque Dom Pedro II, onde os torrões bordavam intrincados xadrezes achocolatados pela chuva, havia uma relva juncando um tapete de pequenas flores amarelas e brancas.
Ali imperava um silêncio absoluto, singular, essencial.
Sempre retornava àquele ponto. Buscava um reencontro com os elementos arcaicos que ainda tingiam de eternidade a alma do pequeno menino que colecionava moedas.
Aprendiz de numismatógrafo, tinha uma especial, de bronze, que a prima ruiva me havia regalado.
Não sei bem por que permiti a moeda rolar no tapete fresco de ervas. Não caiu de minhas mãos inadvertidamente. Não! Deixei-a experimentar o solo úmido, aninhar-se na terra que recendia a chás e cortiça.
Traído naquele instante magnífico, me dei conta, de repente, de que amava aquela moeda e que era preciso recuperá-la imediatamente, custasse o que custasse. Eis que minha vida se resumia simplesmente em reconquistá-la, tomá-la de volta de quem quer que a detivesse, de modo tão perito e solerte.
Mas as moedas se perdem na relva… Esse parece ser o seu destino.
Eu não pude encontrar em toda a minha vida razões suficientes que me permitissem afirmar que para outra coisa existam!
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