Minha avó e a Paulista

Minha avó saiu de Lisboa em março de 1938 para passar férias em São Paulo com o irmão, que aqui morava, e assim esquecer de um namorado indesejado pela família.
Mal o navio começava seu trajeto e um brasileiro se interessou por ela. Já na Bahia começaram a namorar. Só que o moço ficou no Rio, porque lá morava, e ela seguiu para São Paulo. Do Rio para São Paulo era de trem, um trem muito chique – o Trem de Prata.
E assim pelos três meses de férias ficaram se correspondendo e telefonando.
E ela passeando. Meu tio-avô morava na Avenida Paulista esquina com a Frei Caneca, num casarão onde é hoje um prédio com um Itaú embaixo. Um irmão da cunhada dela, cujo sobrenome era Cozzo, tinha uma baratinha amarela, um carrinho pequeno, e eles ficavam fazendo tour na Avenida Paulista.
Mas chegou a hora dela ir embora, após três meses. O que o moço fez ? Veio correndo para São Paulo.
Nesse dia em que ele veio, em junho ou julho, estavam ela e meu tio-avô no Campo de Marte, voando no avião pequeno que ele tinha importado da Polônia.
Enquanto ela estava lá em cima com o aviador do irmão, o moço ficou embaixo, e a pediu em casamento.
Aí ela concordou, casou em dezembro, e nunca mais voltou…