Lembranças Felizes!

Não precisamos expressar aqui todos os momentos felizes e alegres que passamos em nossa amada São Paulo, seja em que época for, pois nossos escritores sempre se encarregam de fazer isso por nós. Basta ler qualquer texto que sempre haverá uma situação que vivenciamos ou nos recordamos, sem ter ao menos participado. Eu nunca vou me esquecer do Cine Itapura, na baixada do Glicério, quando fui ao cinema com minha namorada pela primeira vez, fomos assistir a Sete Noivas Para Sete Irmãos. Foi lá também que pela primeira peguei em sua mão com os dedos entrelaçados, foi uma emoção indescritível, para aquele tempo, é claro.
Mas o que quero contar é uma história que começou lá atrás, na década de 1940, quando tinha meus oito para nove anos. Assisti no Cine João Gomes de Presidente Prudente o filme o Mágico de Oz, com seus personagens mágicos, a Dorothy Ventania, o Homem de Lata, o Leão Covarde e o Espantalho, que morria de medo de ser queimado. Mas a música do filme cantada por Judy Garland foi o que na verdade me impressionou, aquela música ficou em minha memória por muito tempo, e pensava, será que nunca mais vou ouvir uma música tão linda? Não sabia o nome, devia estar nas legendas iniciais do filme, é claro, mas com aquela idade iria saber que lá estaria escrito seu nome? O tempo passou, mudamos para São Paulo, e a música caiu um pouco no meu esquecimento, pois nunca mais a ouvi e ninguém sabia me dizer que música era. Certa vez, veio um primo que morava em Presidente Prudente passar as férias em nossa casa, e resolvemos ir visitar uma tia que morava na Avenida Angélica, pois há muito tempo não a víamos. Lá pelas 23h, se tanto, resolvemos ir embora e falei para meu primo, vamos a pé, é legal andar a noite, ainda mais com este friozinho que está fazendo. Saímos então em direção à Praça Clovis Beviláqua, para apanhar o ônibus que nos levaria para a Mooca, onde estávamos morando, vindos da Vila Pompéia. Pegamos a Rua das Palmeiras, Largo do Arouche, e saímos na Vieira de Carvalho, quando estávamos chegando quase na Praça da Republica, da janela de algum prédio por ali, ouvi alguém tocando saxofone, daí eu disse para meu primo. É a musica! E ele, sem saber de nada, indagou meio surpreso! Que música, Carlos? A música do filme, O Mágico de Oz, que assisti lá em Prudente antes de mudarmos para São Paulo. Sentamos em um banco da praça e fiquei ouvindo aquele saxofone mágico, tocando, como se fosse para mim, aquela música, que tanto me fascinou.
Depois vim a saber, o nome: Over The Rainbow. Naquele dia, além do frio, queria que estivesse garoando, e ao invés de meu primo, queria minha namorada de companhia.
Por isso que não esqueço daquele pedacinho de São Paulo, Vieira de Carvalho com Praça da República. Tenho comigo várias gravações de Over The Rainbow. Mas em minha memória ficou aquele saxofone. Pois nasceu ali meu amor pelo som do instrumento.

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