Anjos da Beneficência

Anjos da guarda, do bem, da caridade… Eu os vi, não espiritualmente, mas em carne e osso. Portanto, para mim eles existem, e para minha surpresa são lindas e lindos, nas suas vestes alvas. Ao contrário do que muita gente pensa, eles têm sexo, pois, reconheci-os, do jeito que Deus os criou. Não os procurei, eles me vieram. Nada me perguntaram. E, antes de me tocarem diziam: menino, vai doer um pouco! As dores eu não sentia. A sua simples presença já operava um bem-estar de alívio e esperança. E, assim passaram-se horas, dias. As fisionomias mudavam-se com os dias. Algumas de pele clara, outras escuras, mas sempre com uma mensagem de fé e carinho. Eu me sentia seguro e confiante. O que mais se aproximava dos meus pensamentos é que onde eu estava era um santuário de sublimação do amor. E, assim me sentindo amparado, e bem assistido, vi minhas cicatrizes se fecharem, e antes mesmo do dia esperado, recebi de uma jovem médica o aviso: você esta batendo um bolão, por isso vou dar-lhe alta! Pra quem já passou por uma cirurgia do coração, sabe o que uma frase dessa representa. E, agora, 60 dias depois, sem nenhuma queixa, volto ao hospital, em pensamentos, àqueles anjos de ternuras e solicitudes, na lida diária, sempre fazendo o bem, sem olhar a quem.
A instituição é simplesmente conhecida como Beneficência Portuguesa.
De simples ela não tem nada. É um complexo hospitalar gigantesco. Onde o que mais chama a atenção é a eficiência em todos os sentidos. Quem para lá for com o espírito critico, terá uma surpresa, pois tudo funciona como uma orquestra bem afinada. Os anjos que lá habitam, são anjos de um Espírito Superior!

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