Quarto Congresso Eucarístico Nacional

O ano era 1942. Eu, com 11 anos de idade, freqüentava o grupo Escolar São Vicente de Paula, localizado na Avenida do Estado. Nesse ano, São Paulo sediava o Quarto Congresso Eucarístico Nacional. E por isso, todos os alunos haviam sido preparados para comungar em missa campal que seria realizada não me lembro onde. Na véspera, fomos todos à igreja confessar e nos preparar para a comunhão. A recomendação era de que deveríamos comparecer em jejum. No dia seguinte, bem cedinho, levantei-me, tomei meu banho, vesti minha roupinha branca cuidadosamente preparada por minha mãe e parti rumo à escola, para de lá seguir para o local da missa. A caminho, encontro na esquina meu irmão mais velho, que no ponto esperava o bonde para ir para o trabalho. Distraidamente aceito dele uma bolacha, pois havia esquecido do jejum. Quando cheguei à escola, contei à minha professora o que havia ocorrido e perguntei se mesmo assim eu poderia comungar. Afinal, havia comido apenas uma bolacha.
– De jeito nenhum – me responde.
Comungar sem respeitar o jejum era pecado. Desapontado, segui com meus colegas de Escola para a missa. A professora permaneceu ao meu lado. Na hora da comunhão, o sacerdote ia dando a hóstia para todas as crianças que estavam em fila. Ao se aproximar de mim, a professora tirou-me da fila e assisti o resto da cerimônia sem comungar. Foi uma decepção muito grande; jamais me esqueci.

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