Alguém lembrou muito bem destas festas, aqui mesmo neste site, e de repente a minha memória me levou rapidamente como um flash para aquela época bonita da cidade de São Paulo, e da minha vida.
Lembro das tardes de domingo, do grande número de pessoas caminhando pela Avenida Brasil, rumo ao Parque do Ibirapuera. Iam caminhando, como eu, beirando os lagos. Sim, os lagos… Porque eram 2, um de cada lado da avenida, sendo que um deles foi extinto para dar espaço à construção da Assembléia Legislativa e de um quartel general do Exército.
Ao longe se escutava música, suave, gostosa, vinda dos alto-falantes verticais, espalhados pelos gramados do parque, ao que parecia ter sua estação de transmissão própria.
A gente, criança, queria chegar pertinho da beira do lago para ver os filhotes de peixes e tentar pegá-los com os copinhos vazios dos sorvetes que acabávamos de tomar, sem se importar muito com a segurança de cair no lago, aí vinham os guardas municipais com suas bicicletas para brigar com a gente.
Viam-se muitos casais de namorados e famílias com suas crianças, por toda a beira do lago, sentados nos gramados. Era muita gente por lá, passeando entre os pavilhões e exposições, ou se divertindo no parque de diversões ali montado.
Havia muitas filas para distribuição de amostras de produtos, que as empresas faziam. De tudo um pouco: sorvetes, refrigerantes, alimentos, bexigas desenhadas… etc… etc.
Também me lembro da chuva prateada com os pedacinhos de alumínio triangular, com a estampa da marca Pignatari… Foi um show com a luz do sol e com as dos holofotes.
Após o lago principal, num riacho mais adiante, havia uma ponte larga, arqueada, toda construída de ferro, atravessando de um lado para o outro, e lá em cima havia um pavilhão metálico chamado de Rio Grande do Sul. Também havia um setor feito pelos japoneses, com uma exposição típica das moradias deles.
Mas o cantinho mais cobiçado era aquela barraquinha da Kibon, que fazia os Sundaes, Banana-Splits, Milk-Shakes e que ficava próximo ao porto dos pedalinhos e canoas e do planetário.
Nos dias de semana, a diversão da molecada era ir pescar as perigosas traíras com garfos grandes tipo arpão, ou entrar numa saída de água dos lagos, água até a cintura, lá na Avenida República do Líbano, para pescar com peneiras, eu mesmo peguei uma enorme carpa vermelha naquele lugar. Me deu um trabalho danado para levar a carpa para a casa de minha avó, e ela não deixou eu ficar com ela e me fez entregar para os meus amigos.
Nas segundas feiras, íamos em grupos procurar palitos carimbados da Kibon, para completar nossa coleção de bandeirolas, que a empresa trocava pelos palitos, e as vezes eu esquecia do horário da escola e tinha que voltar correndo para casa e só tomava um “banho de gato”, para dar tempo de pegar a carona do taxista que levava seu filho. Era o Colégio Paes Leme, lá perto da Rua Augusta.
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