No alto da Rua Gomes Freire, última quadra à esquerda, paralela à 12 de Outubro, na Lapa, havia um estabelecimento onde seu proprietário, Alberto, consertava aparelhos domésticos e, principalmente, enrolava motores elétricos. Embora já tivesse trabalhado como empregado nas Indústrias Matarazzo, foi em 1946 que abriu o seu estabelecimento. Mas sua profissão, aprendida no Liceu de Artes e Ofícios, no Bairro da Luz, lhe servia apenas para o seu sustento e de sua família. O que ele gostava mesmo era cantar. Descendente de italianos, fora embalado ao som de canzonetas napolitanas. Na adolescência, junto com os amigos pianistas, Orlando e Cláudio, passou a freqüentar festas e bailes, onde mostrava sua potente voz interpretando vários gêneros musicais ("Granada", "Martha", "Jura-me") e muitos outros sucessos dançantes. Arriscou-se algumas vezes em programas de calouros como, por exemplo, a "Peneira Rhodine". Mais tarde apresentou-se em programas do "Chacrinha" e do Silvio Santos. Um fato interessante aconteceu quando da apresentação do Luciano Pavarotti no Estádio do Pacaembu. Enquanto a platéia aguardava a entrada em cena do cantor, na arquibancada, os amigos de Alberto pediram que ele interpretasse uma canção. Ele cantou "O sole mio" e ao final foi entusiasticamente aplaudido pelos circundantes. Consta que câmeras da TV registraram o fato. A sua vida de artista não decolou. Ele se foi em 2002. Deve estar cantando no céu. Que Deus o tenha.
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