Como já disseram muitos, inclusive meu amigo Luiz Simões, a redonda marca diversos momentos de nossas vidas. Assim foi com ele, comigo e, tenho certeza, com você também.
Sou do tempo em que a pizza tinha poucos sabores, se comparada às pizzas do tempo atual. Elas se restringiam ao sabor de mussarela, de calabresa, de alicce e, a mais exótica, que era de alho e óleo.
Lembro-me que às quintas-feiras, quando eu minha mãe e meu irmão visitávamos a casa de meu avô materno lá no Brás, meu pai à noite ia nos buscar. Na casa do nono, o jantar era servido muito cedo, para ser mais preciso às 19 horas.
Nós jantávamos, mas meu pai chegava sempre depois das 20 horas e normalmente não jantava, e a nossa torcida era para que isso acontecesse sempre, porque então, quando íamos embora, parávamos para saborear uma boa pizza.
As pizzarias variavam um pouco, às vezes era a Garoto, outras a Cantina 1060, na região do Brás ou, ainda, duas outras cantinas famosas que a memória teima em não recordar o nome, uma delas ficava na Rua Silveira Martins quase na esquina com a Praça Clovis Beviláqua e a outra era na Rua Xavier de Toledo, na esquina com a Rua 7 de Abril. Além do sabor especial, o que mais me chamava a atenção nas redondas servidas nesses locais era que o garçom ao trazer a forma para a mesa, invariavelmente perguntava se o cliente desejava azeite.
Quando a resposta era afirmativa, como ocorria sempre na nossa mesa, o garçom se dirigia ao balcão, solicitava o recipiente com o Azeite, promovia a sua pesagem e o levava para mesa. Ao término do repasto, quando a dolorosa era solicitada, o garçom recolhia o recipiente do azeite, tornava a pesá-lo e, a diferença entre o peso anterior e o peso posterior era cobrada do consumidor. Eram tempos difíceis do pós-guerra…
Várias outras redondas marcaram a minha existência, tanto elas como os locais onde elas eram feitas. Nasci no Bixiga, que foi por muitos anos o bairro de maior conglomerado de pizzas desta Capital.
Aos sábados, os Duques de Piu-Piu antes de saírem para a guerra dos bailes, se acomodavam nas simples cadeiras da Pizzaria do Natalino que ficava na Rua Manoel Dutra, entre a Rua 13 de Maio e a Rua João Passalaqua, e se locupletavam com as deliciosas pizzas, principalmente as de alho e óleo. Outra pizzaria de nossa preferência era a Pizzaria Moraes, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Essa pizzaria ainda existe, mas já não é especial como antigamente.
Outras pizzarias e suas redondas pontilharam a minha vida, La Tavola, Babbo Giovanni, Gigetto, Lazzarella, Speranza (onde além da pizza o pão de lingüiça era uma tentação) e tantas outras que se fosse referendá-las teria de usar várias laudas.
E assim, fui eu envelhecendo e as redondas me acompanhando. Eu vivendo emoções e as redondas me acompanhando. Eu encontrando novos amigos dos sites onde escrevíamos sobre São Paulo e festejando na companhia deles (aliás, meus caros Luiz Simões, Mário Lopomo e todos os demais escrevedores deste site, está na hora de uma nova roda de pizzas e cervejas não acham?).
Bem, está na hora de colocar um ponto final neste texto caso contrário vou engordar tanto que sou capaz de explodir.
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