A Represa do Guarapiranga, a “Riviera Paulista”. Guarapiranga, termo indígena para “garça vermelha”, situa-se na região de Santo Amaro, antiga povoação já acusada nos anais históricos do século XVI, no bairro da Capela do Socorro, povoado por indígenas descendentes do cacique Caiubí e recebendo em 1827 os primeiros colonos vindos da Alemanha.
Por ser lugar agradável e dotado de recursos naturais, com belas matas e
abundante quantidade de água, tornou-se lugar de atração turística com a
formação da Represa do Guarapiranga, em 1907, para conter as enchentes das margens dos rios Tietê, o “rio verdadeiro” para os silvícolas, e Pinheiros.
Para satisfazer interesses da companhia São Paulo Tramway Light And
Power Company Limited, ou simplesmente “Light”, concessionária autorizada, o governo do Estado de São Paulo promulgou desapropriação em enorme extensão de terra para reversão das águas dos citados rios para abastecimento da usina hidroelétrica de Cubatão.
A Riviera Paulista, assim denominada por alusão aos locais aprazíveis comuns na Europa que são circundados por água, atraía pessoas próximas à cidade de São Paulo enchendo a orla local, num movimento interminável de transeuntes a observar o vai-e-vem dos barcos a vela ou o avião anfíbio, denominados ”Seabee”, que fazia vôos turísticos sobre a Represa do Guarapiranga, formando filas no píer, uma plataforma improvisada para o hidroavião atracar a cada vôo e o turista desembarcar em local mais próximo à margem da represa. Belezas registradas nas mentes fotográficas das crianças e que jamais se apagam.
Monumento é documento: O Ícaro do Atlântico. Aos heróis da primeira travessia do Atlântico, Ottone Zorlini, renomado escultor italiano, consagrado em bienais, concebeu e executou a obra denominada “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico” em 1928, homenageando o feito dos heróicos aviadores. A obra foi erigida na Represa do Guarapiranga.
É uma arte que privilegia o movimento, impregnado na obra. Um Ícaro de asas abertas como que a fitar a imensidão do espaço e a sobrevoar a rota
escolhida desponta o Cruzeiro do Sul, que são as cinco estrelas fixadas na base de sustentação. Na parte frontal do monumento uma coluna romana
demonstra a beleza do “capitel” do grego clássico do estilo de Corinto, que remete o homem à busca incessante da perfeição. Em ambos os lados estão a representação da aplicação da lei, um molho de varas que era levado por “lictor”, o magistrado romano, e ao centro a machadinha “franquique”, instrumento para a execução da justiça.
O “Monumento Comemorativo da Travessia do Atlântico” faz justa homenagem a dois aviadores vindos da Europa em 1927, da cidade de Genova, Itália, até a Represa de Guarapiranga, no bairro do Socorro – Santo Amaro. O aviador Francesco de Pinedo (cujo nome foi dado a uma avenida do bairro), com o hidroavião Sabóia Marchetti S-55, batizado de Santa Maria, participando do heide e o nosso famoso Jahú do comandante brasileiro João Ribeiro de Barros com recursos próprios fez o mesmo trajeto, deslizando sobre as águas tranqüilas da Represa de Guarapiranga.
Este monumento representa um momento único na história e foi vencido de
maneira a unir povos separados por posições geográficas, mas que estão com vínculos que remetem à busca desta aproximação. Este desafio da travessia do atlântico promoveu esta inter-relação, possibilitando o surgimento da aviação comercial no mundo.
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