Ipiranga III

Que tal lembrarmos um pouco de mais duas características do Bairro do Ipiranga que infelizmente não mais existem para nos servir? Os bondes e os cinemas!
Os bondes eram “abertos” ou “fechados” (popularmente “camarões”). Existiam 3 linhas, Ipiranga (4), Fábrica (20) e Heliópolis (21). Todos vinham pelo Bairro do Cambuci (Ruas da Glória, Lavapés e Independência) e adentravam ao bairro pela majestosa Avenida D.Pedro I.
Na altura do Monumento do Ipiranga, os bondes Fábrica e Heliópolis acessavam as Ruas Tabor, Sorocabanos e Silva Bueno (lembram da “subida da Juta”!) e se dirigiam ao Sacomã. O bonde Ipiranga subia pela Rua Bom Pastor (e que subida!), e retornava pelas Ruas Moreira e Costa e Moreira de Godói.
Em geral as viagens eram rápidas e seguras, salvo por algum transtorno eventual nos trilhos. Havia um vocabulário próprio ligado a este tipo de transporte, “limpa trilhos”, “manivela”, “motorneiro”, avisos como “prevenir acidentes é dever de todos”, propagandas tradicionais como a do “Rhum Creosotado”, e nos bondes “abertos”, a figura acrobática do cobrador, equilibrando-se nos estribos, fazendo troco e através de alavancas registrando as operações num tipo de caixa circular colocada ao alto do veículo.
O bairro também era bem servido por um bom conjunto de cinemas, tínhamos o Ipiranga Palácio, D.Pedro I, Paroquial, Anchieta, Samarone, Maracanã e Soberano.
Sessões diárias, filmes duplos, jornais (lembram do “Canal 100”), “trailers”, desenhos, “matinés” e seriados domingueiros.
As “chanchadas” da Atlântida faziam a grande alegria do pessoal mirim e adulto (os mocinhos: Oscarito, Grande Otello, Ankito, Cyll Farney, Anselmo Duarte, Eliana, etc., contra os sempre bandidos: Renato Restier, Wilson Gray, José Lewgoy, etc.).
Quem nunca espantou o “condor” da “Condor Filmes”? Quem nunca avisou o mocinho, aos berros, gritos e assobios, de que o malfeitor bandido acercava-se sorrateiramente pelas suas costas?
E os carroções dos pioneiros fazendo círculos com os terríveis apaches correndo em volta? E para o alívio de todos nós, o 5º Regimento da Cavalaria chegava à cena e salvava todo mundo!
É isso aí minha gente, o tempo passa!

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